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Neurociência

Mais uma boa razão para dormir: o sono limpa o cérebro

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Numa conferência TED, um neurocientista revela dados surpreendentes sobre o "sistema de limpeza” do cérebro. E estabelece uma possível relação entre a fisiologia do sono e a doença de Alzheimer.

Getty Images

Dormir (bem) é essencial para manter uma boa saúde, nada de novo, mas a verdade é que o conhecimento sobre a fisiologia do cérebro durante o sono é ainda escasso. Sabe-se que funciona, mas não como ou porquê. Numa TEDMED (conferência TED dedicada à saúde e medicina) realizada em setembro em São Francisco (EUA), o neurocientista Jeff Ilif da Oregon Health & Science University, revela algumas descobertas surpreendentes.

Ao contrário do resto do corpo, o nosso cérebro não possui sistema linfático, um conjunto de vasos através dos quais os tecidos purgam os produtos do metabolismo, ou seja, os resíduos que resultam da atividade celular. O cérebro é um órgão que representa apenas 2% da massa corporal, mas utiliza 1/4 da energia que consumimos e por isso a quantidade dos produtos dessa atividade celular é enorme. Então como é que o corpo se livra desses compostos?

Jeff Ilif explica que é o líquido cefalorraquidiano (LCR), que protege e nutre o sistema nervoso central (cérebro e espinal medula), também o responsável pela respetiva limpeza. O que até há pouco tempo não se sabia é que esse processo decorre precisamente durante o sono. Novas técnicas (de imagiologia) permitem ver, literalmente, o movimento do LCR durante o sono. Essas imagens são surpreendentes e podem ser vistas no vídeo da conferência do neurocientista (em inglês, a transcrição para português encontra-se no documento em anexo).

Outra revelação importante: a proteína beta-amilóide é um dos resíduos da atividade dos neurónios (as células do sistema nervoso) eliminada pelo LCR neste processo de limpeza noturna — a beta-amilóide é a responsável pela formação das placas que caracterizam a doença de Alzheimer. Jeff Ilif afirma que “se o sono faz parte da solução para o problema de limpeza de resíduos do cérebro, isto pode alterar drasticamente o modo como olhamos para a relação entre o sono, a beta-amilóide e a doença de Alzheimer.”

Numa apresentação clara e esclarecedora, o investigador conclui: “Todos nós dormimos diariamente mas os nossos cérebros nunca param. Enquanto o nosso corpo está inerte e a nossa mente vagueia pelos sonhos, a maquinaria elegante do cérebro trabalha árdua e silenciosamente na limpeza e manutenção desta máquina incrivelmente complexa. (…) No que toca à limpeza do cérebro, o que está em jogo é a saúde e a funcionalidade do corpo e da mente, o que torna a compreensão destas funções primárias, no presente, fundamental para prevenir e tratar doenças mentais no futuro.”

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