O ministro das Finanças da Grécia considerou hoje que o seu país se encontra numa situação de “equilíbrio delicado” e que a “incerteza” sobre o futuro da sua economia suscita as reações negativas dos mercados. “Estamos num ponto de equilíbrio delicado, a atual dinâmica na paisagem económica implica uma estabilidade política”, disse Guikas Hardouvelis em entrevista ao semanário dominical RealNews.

O ministro atribuiu “as reações negativas” dos mercados, que provocaram uma queda de mais de 13 pontos na Bolsa de Atenas antes de uma recuperação na sexta-feira, “à incerteza” sobre a economia do país no final do programa de resgate internacional que termina em dezembro de 2014. “A recuperação dos mercados surgirá quando desaparecerem as causas desta incerteza”, prognosticou, citado pela agência noticiosa AFP.

Numerosos analistas atribuíram a agitação dos mercados à tentativa do governo de coligação grego em “desembaraçar-se” do plano de austeridade do Fundo Monetário Internacional (FMI, um dos parceiros da ‘troika’ de credores) e após o fim do aplicado pela União Europeia (UE), que expira no final de dezembro.

Por motivos políticos, relacionados com a eventualidade de eleições legislativas antecipadas no início de 2015 — e quando as sondagens fornecem à coligação de esquerda Syriza uma confortável vantagem –, o governo de coligação direita-socias-democratas do primeiro-ministro conservador Antonis Samaras, no poder há dois anos, quer prometer à população o fim das draconianas políticas de austeridade, impostas desde 2010.

Interrogado sobre se a Grécia pretende “um divórcio com o FMI”, o ministro disse “não se tratar de um divórcio mas de uma mudança da relação” com a instituição financeira. “O FMI vai permanecer ao nosso lado como um observador sem uma qualidade de controlar minuciosamente [as finanças gregas], como já o fez em outros países que beneficiaram dos seus empréstimos”, sublinhou. Numa tentativa de acalmar os mercados, Antonis Samaras admitiu na sexta-feira que a Grécia não excluiu medidas de segurança, na forma de uma linha de crédito de precaução por parte do Mecanismo europeu de estabilidade (MES), sem no entanto se exprimir sobre o futuro do plano do FMI.