Na véspera da aprovação do novo colégio de comissários da Comissão Europeia, que inclui Carlos Moedas, ainda falta ouvir dois nomeados, numa maratona de audições que deverá terminar esta noite, permitindo aos líderes dos principais grupos políticos reunirem-se na terça-feira e votarem na quarta a equipa de Jean-Claude Juncker. Uma maratona para cumprir as regras burocráticas e terminar assim um processo que na opinião de Marisa Matias, eurodeputados do Bloco de Esquerda e que integra o grupo da Esquerda Unitária Europeia, foi “atabalhoado”.

No fim, tudo deverá correr bem. Há acordo político entre as principais famílias europeias – Partido Popular Europeu (PPE) e Partido Socialista Europeu (PSE) – para aprovar a nova Comissão já que os socialistas conseguiram ficar com pastas como os Assuntos Económicos, que vai para Pierre Moscovici, ex-ministro francês, ou Frans Timmermans, holandês que para além de vice-presidente, tem a responsabilidade da coordenação da Regulação. Nesta segunda-feira à noite, vão ser ouvidos Violeta Bulc, a nova comissária nomeada pela Roménia depois do chumbo da primeira e a nova audição de Maroš Šefčovič, nomeado pela Eslováquia.

De modo a resolver a rejeição da eslovena Bratusek, que deveria ficar encarregue da união energética, Juncker – depois de conhecer na última semana Violeta Bulc, ministra do Desenvolvimento do país há um mês – decidiu trocar a pasta da nova nomeada com a de Maroš Šefčovič, que até então deveria ficar à frente dos Transportes. Agora será Šefčovič a coordenar a União Energética, enquanto Bluc vai ser ouvida como potencial comissária dos Transportes. Não se conhece a experiência da eslovena nesta área e no seu currículo ressalva-se o facto de ter frequentado uma escola de xamanismo na Escócia. Caberá aos eurodeputados avaliarem se será capaz de ser comissária nos próximos cinco anos.

A Esquerda Unitária Europeia considera que todo o processo da nova Comissão não foi bem gerido e por isso pretende chumbar o colégio na votação de quarta-feira – que será nominal e requer uma maioria simples. “Estão a fazer-se arranjos de cosmética para fechar o processo e continuamos com série de problemas em relação a estes comissários”, disse ao Observador Marisa Matias. A eurodeputada portuguesa diz que a equipa de Juncker teve “muitos casos” e mesmo com o acordo entre as famílias políticas que vai permitir a sua aprovação na quarta-feira, isto significa que nos próximos cinco anos terá de haver “mais vigilância” e “maior controlo democrático” desta nova Comissão.

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Para os socialistas, necessários para aprovar esta equipa, o problema reside nos 300 mil milhões anunciados por Juncker para estimular a economia. Carlos Zorrinho, eurodeputado do PS, disse ao Observador que a Comissão está “equilibrada”, restando apenas saber onde é que o luxemburguês vai buscar o dinheiro ara investir no seu plano de crescimento e emprego. O português vai questionar nas audições que decorrem esta tarde em Estrasburgo o eslovaco Šefčovič, perguntando como é que a Europa vai atingir as umas metas energéticas quando os “governos de direita apostam na redução das energias renováveis”.

Os eurodeputados estão durante esta semana reunidos em plenário em Estrasburgo. A Comissão deverá tomar posse a 1 de novembro, terminando nessa altura o mandato de 10 anos de Durão Barroso à frente desta instituição.