Zeinal Bava, ex-presidente executivo da Oi e da Portugal Telecom, afirmou nesta terça-feira que a nova administração da operadora portuguesa, liderada por Armando Almeida, “não fará só diferente”, mas “mais e cada vez melhor. O gestor discursava, de acordo com a rádio TSF, na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, onde foi alvo de uma homenagem em que recebeu um doutoramento honoris causa.

Bava acrescentou estar “profundamente agradecido” ao conselho de administração da PT e, também, aos acionistas que acompanharam a empresa em momentos “desafiantes e incertos”. A TSF assinala que esta foi a primeira ocasião em que Zeinal Bava falou publicamente após ter-se demitido da liderança da Oi.

O antigo líder executivo da Oi deixou o cargo na sequência do conhecimento público de que a Portugal Telecom tinha aplicado perto de 900 milhões de euros em instrumentos de dívida da holding RioForte, do Grupo Espírito Santo (GES). Este investimento de alto risco levou a uma revisão dos termos da fusão entre a Oi e a PT, piorando a posição da empresa portuguesa na CorpCo, designação da unidade resultante da soma das duas firmas.

A entrada da RioForte em insolvência, na sexta-feira passada, desencadeou o pior ciclo de perdas em bolsa da Portugal Telecom que mantém cotada a PT SGPS, entidade que detém a participação na Oi e o investimento agora perdido na RioForte. As ações da PT caíram hoje 8,5%.

Zeinal Bava vai receber 5,4 milhões de euros, em 36 parcelas de 150 mil euros, como indemnização pelo facto de ter deixado a presidência executiva da Oi, segundo noticiou o jornal brasileiro Valor Económico.

As primeiras declarações públicas após a saída da Oi foram feitas no distrito de Castelo Branco, cidade onde a Portugal Telecom, então liderada por Zeinal Bava, abriu um centro de atendimento ao cliente que emprega cerca de 600 pessoas. Já este ano a PT reforçou este centro com a abertura de um novo call center, criando mais 150 empregos.