Um “agravamento verificado ao nível da imparidade do crédito em consequência de fatores conjunturais de caráter não recorrente” penalizou os resultados da Caixa Geral de Depósitos. O banco do Estado fechou os primeiros nove meses de 2014 com lucros de 55,5 milhões de euros, impulsionados pela subida da margem financeira e a venda da Fidelidade.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Caixa Geral de Depósitos informa que “os custos com provisões e imparidades apresentaram uma redução homóloga de 13,1%, totalizando 580,8 milhões de euros, não obstante o agravamento verificado ao nível da imparidade de crédito em consequência de fatores conjunturais de caráter não recorrente, parte dos quais com reflexo muito importante na atividade internacional”.

Depósitos de clientes no retalho (consolidados) totalizavam 69.726 milhões de euros no final de setembro, mais 3,8% do que no final de setembro do ano anterior.

Esta é uma referência à exposição a dívidas de empresas do Grupo Espírito Santo (GES) que, não se tratando ainda de perdas efetivas, foram já aprovisionadas pelo banco. Também relacionada com a crise no GES e no Banco Espírito Santo está a subida dos recursos de clientes (sobretudo depósitos) de 70.084 milhões de euros. Na mesma rubrica, o banco tinha em final de junho 67.126 milhões de euros, antes do agravar das tensões em torno do Banco Espírito Santo e que levariam à sua resolução.

O banco explicita, dentro da rubrica dos recursos de clientes, que os depósitos de clientes no retalho (consolidados) totalizavam 69.726 milhões de euros no final de setembro, mais 3,8% do que no final de setembro do ano anterior. Quanto aos lucros, que se fixaram em 55,5 milhões de euros no período de nove meses terminado em setembro, existiu uma desaceleração face aos 129,9 milhões de euros que a Caixa Geral de Depósitos acumulava até junho.

Ainda com impacto nos lucros dos nove meses houve a venda da Fidelidade, Multicare e Cares que, em maio, originaram uma mais-valia de 234,9 milhões de euros, informa o banco.

Nos nove meses até setembro, os lucros foram suportados pela subida da margem financeira para 743 milhões de euros – um aumento de 32,9% face ao período homólogo – e pelos resultados em operações financeiras, que somaram 213,1 milhões de euros. Aqui, trata-se sobretudo de “mais-valias realizadas num contexto de valorização da carteira de títulos decorrente da melhoria da perceção de risco da economia portuguesa”.

Além disso, ainda com impacto nos lucros dos nove meses houve a venda da Fidelidade, Multicare e Cares que, em maio, originaram uma mais-valia de 234,9 milhões de euros, informa o banco. Já os custos operacionais caíram 3,5% na comparação com o mesmo período de 2013, para 962,5 milhões de euros.

No crédito, continua a existir um decréscimo da carteira de créditos a particulares. Em parte por via da amortização de créditos, não compensada pelos novos contratos, a carteira doméstica de crédito a particulares desceu 4,2% na comparação homóloga, para 30.802 milhões de euros. Nas empresas, a queda foi de 8,6% para um “stock” de 20.397 milhões de euros.