A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou hoje a criação de uma Comissão da Verdade para a Escravidão Negra no Brasil com o objetivo de resgatar a história e apurar injustiças ocorridas nesse período.

“Perceber o que aconteceu colocará o Brasil de frente para si mesmo, onde hoje existem cidadãos de duas categorias”, afirmou à Lusa o vice-presidente da OAB, Humberto Adami, referindo-se aos ecos que ainda podem ser observados na sociedade brasileira, apesar de terem passado 100 anos após a fim da escravidão no país.

O objetivo da comissão, segundo Adami, será resgatar a história dos negros escravizados em África e levados para o Brasil desde a primeira metade do século XVI, até 1888, quando a escravidão foi oficialmente extinta.

Para o advogado, o principal objetivo não é falar em reparação financeira, mas especialmente de uma reparação de valores intangíveis como a descoberta da própria cultura e das próprias raízes.

Adami prevê, por exemplo, a possibilidade de descoberta de locais emblemáticos, como já ocorreu por exemplo no Rio de Janeiro, onde foi descoberta uma antiga vala comum de escravos, na região conhecida como Cais do Valongo.

A ideia de fundar um grupo para estudar e apurar os factos ocorridos nesse período foi inspirada na Comissão Nacional da Verdade, criada pelo governo de Dilma Rousseff, para apurar os crimes cometidos durante a ditadura militar no país.

A previsão é de que os nomes que comporão a comissão sejam anunciados pelo presidente da OAB nos próximos dez dias.

A instituição pretende ainda enviar uma sugestão ao governo federal para a criação de uma comissão pública, em âmbito nacional, que possa trabalhar em consonância com a desenvolvida pela OAB.