O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, instou hoje os líderes do G20 a intensificarem a luta contra o vírus Ébola na África Ocental e advertiu para os efeitos económicos e de segurança do surto epidémico.

Em Brisbane, que acolhe a cimeira do G20, Ban disse que era necessário mobilizar de forma massiva recursos financeiros, logísticos e de tratamento nos países afetados.

Também assinalou que as prioridades são parar o atual surto, tratar as vítimas, assegurar a prestação de todos os serviços e preservar a estabilidade social, política e económica dos países afetados, e prevenir a ocorrência de novos surtos.

“O Ébola começou como um problema de saúde, por isso a comunidade internacional tem sido algo lenta na sua resposta. Agora, a crise também é económica e de segurança, e a afeta todos os espetros da nossa vida”, disse o diplomata sul-coreano.

Ban indicou que a transmissão da doença ainda ultrapassa a resposta da comunidade internacional e pediu mais esforços para poder isolar e tratar 70% dos infetados e proporcionar zonas seguras e dignas para enterrar os mortos.

Também instou a abordar uma possível escalada dos preços dos alimentos provocada pela interrupção da atividade agrícola, o que poderia causar uma crise alimentar que afetaria um milhão de pessoas.

O secretário-geral da ONU pediu também mais apoio para os trabalhadores sanitários deslocados em África que, destacou, “não deveriam ser discriminados e postos em quarentena quando regressam” das suas missões sem evidenciar sintomas da doença.

As Nações Unidas puseram em marcha a Missão da ONU para uma Resposta de Emergência perante o Ébola (UNMEER), a primeira operação de emergência sanitária do organismo internacional.

O vírus Ébola já causou 5.177 mortos em oito países, de um total de 14.413 casos registados desde dezembro do ano passado, revelou na sexta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Ébola, que se transmite por contacto direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados, é um vírus que foi identificado pela primeira vez em 1976.

Não existe vacina, nem tratamentos específicos e a taxa de mortalidade é elevado, podendo o período de incubação da doença durar até três semanas.

Os ministros da Economia do G20 iniciaram esta manhã uma reunião e os líderes do do grupo vão fazer o mesmo nas próximas horas, com o objetivo de impulsionar o crescimento da economia mundial e criar postos de trabalho, ainda que haja pressões de vários setores e organizações para que sejam mais ambiciosos.

Os países membros do G20 representam 85% do PIB mundial, 80% do comércio global e têm dois terços da população total.