O Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) fez hoje um “balanço verdadeiramente positivo” do mandato do ministro Miguel Macedo, que apresentou domingo a demissão da pasta da Administração Interna.

De acordo com o porta-voz do OSCOT, Felipe Pathé Duarte, apesar do balanço positivo que o Observatório faz do mandato, “há ainda um longo trilho a percorrer” em matérias de articulação e coordenação operacional entre as várias forças e serviços de segurança, Forças Armadas e Proteção Civil.

“Três anos e meio provaram não serem suficientes para o percorrer até ao fim”, avança Felipe Pathé Duarte, numa nota enviada à agência Lusa.

No entanto, o OSCOT refere ainda que durante o mandato de Miguel Macedo se assistiu a uma “maior estabilidade, capacitação e efetividade” das forças de segurança, uma condição que de acordo com o porta-voz do Observatório se refletiu “na diminuição da criminalidade, comprovável nos vários relatórios anuais de segurança interna”.

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, demitiu-se domingo, considerando que a sua autoridade, enquanto governante, estava diminuída.

Numa declaração lida no Ministério da Administração Interna, Miguel Macedo disse não ter “qualquer responsabilidade pessoal” no caso de atribuição alegadamente fraudulenta de vistos dourados, que está a ser investigado no âmbito da Operação Labirinto, mas reconheceu que não tinha condições políticas para se manter no cargo.

Algumas pessoas com relações pessoais e profissionais a Miguel Macedo estão a ser averiguadas no âmbito dessa operação policial.

Miguel Macedo é o terceiro ministro a demitir-se do XIX Governo Constitucional, liderado por Pedro Passos Coelho, depois de Miguel Relvas em abril de 2013 e de Vítor Gaspar em julho do mesmo ano. O governo de coligação PSD/CDS-PP teve ainda outra baixa em julho de 2013, quando o então ministro da Economia Álvaro Santos Pereira foi exonerado do cargo, sendo substituído por António Pires de Lima.

O percurso de Miguel Macedo enquanto ministro da Administração Interna ficará marcado pelas duas maiores manifestações de sempre dos polícias, tendo uma delas terminado com a invasão da escadaria da Assembleia da República.