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A TVI diz-se “estupefacta”. A estação privada revelou que a RTP venceu o concurso para a transmissão dos jogos da Liga dos Campeões durante o triénio 2015/18 com uma proposta 40% acima da apresentada pela TVI. Mas a estação pública argumenta que o concurso ainda não acabou e que o valor não é correto. O Observador viu os regulamentos e o prazo para a entrega das propostas terminou no dia 10 de novembro, às 12h (CET).

A estação de Queluz ressalva que ainda não foi oficialmente notificada pela UEFA, mas “a serem verdade estes números, estamos estupefactos, oferecemos 40% abaixo disso”, disse ao Observador Helena Forjaz, diretora de Comunicação Institucional da Media Capital. Os tais números foram avançados pelo Jornal de Negócios, 18 milhões de euros, 6 milhões por época. Mas fonte da RTP, em declarações ao Observador desmentiu esse valor: “essa verba é falsa, é menos do que isso”.

A TVI, a fazer fé nas notícias, diz que “não entende” como é que a estação pública apresentou uma proposta dessa ordem, nem como conseguirá rentabilizá-la, “nós fizemos uma proposta inferior e mesmo com 12 minutos de publicidade por hora não é fácil, a RTP só pode ter 6 minutos por hora”. Helena Forjaz não poupa nas críticas à RTP e diz mesmo que a proposta da estação pública “distorce o mercado, são valores fora de mercado, a RTP devia ser reguladora e não desreguladora”.

A fonte da RTP contactada pelo Observador, próxima da administração, garante que a notícia de que tenha já ganhado o concurso “é falsa, o concurso só termina terça-feira que vem”. Outro argumento é o do número de jogos a que a estação pública concorreu, a fonte disse que “o pacote não tem nada a ver, é um pacote mais rico, com mais jogos”.

O Governo não foi consultado pela RTP para avançar com esta proposta. O gabinete de Miguel Poiares Maduro remete qualquer justificação para o Conselho Geral Independente, um órgão recente da estação pública criado por este Executivo. O seu presidente, António Feijó, contactado pela TSF recusou fazer, para já, comentários.

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