António Costa foi direito ao assunto quando subiu ao palco para discursar na sessão de abertura do XX congresso do PS: “Elogio a serenidade que têm revelado perante um choque que é brutal mas todos temos sabido separar os sentimentos da política e mostrar a fibra daqueles que contra ventos e marés acreditam no Estado de direito e nos valores essenciais”.

O anterior primeiro-ministro socialista e apoiante de Costa, José Sócrates, foi detido uma semana antes do Congresso e o novo secretário-geral não queria que este assunto se tornasse no principal tema de discussão. Para isso, tratou de travar logo ímpetos dos congressistas, que, contudo, terão a parte da tarde para subir ao palco e dizer o que quiserem.

Mas a parte do discurso que mais empolgou os congressistas foi, curiosamente, sobre a Europa. Costa lembrou que, perante a crise que se vive, houve muita gente a deixar de ser socialista ou mesmo europeu. “Nós não desistimos de ser socialistas e europeus”, disse.

E criticou o centro de poder na Europa, arrebatando a maior ovação do discurso. “Esta Europa que nasceu na democracia ateniense não pode morrer às ordens do banco central em Frankfurt”, afirmou.

“A grande lição das eleições europeias foi a de que quando a família da social-democracia desiste de apresentar diferenças ou que as diferenças são coisa pouchocinha, fortalece extremismos e enfraquece a democracia”, concluiu Costa, prometendo dar mais voz a Portugal na Europa, se for eleito primeiro-ministro.

No discurso, anunciou também que tenciona mudar algumas regras de funcionamento interno nesse cenário, ou seja, se for para o Governo, o partido deve ter um secretário-geral-adjunto para se ocupar mais do partido.

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Para o atual Governo, sobraram críticas. O Executivo de Passos Coelho, disse, “apostou na divisão, no confronto permanente com as instituições e com o Tribunal Constitucional”, em vez de se preocupar com a economia. E falou com ironia: “Não sei se todos puderam ver a longa entrevista que o primeiro-ministro deu à RTP. Falou longa e descontraidamente, comentou casos judiciais, esse sucesso de iniciativa privada que é o BES, travou polémica com todas as instituições internacionais que não confiam nas previsões do Governo, mas nada disse sobre crescimento do país“, disse. “Este é um Governo que fracassou, esgotado, sem soluções e conformado com a realidade”.