Foi na segunda-feira que o Governo marcou para dia 17 de dezembro a a eleição do presidente da Grécia, antecipando assim em dois meses a data inicialmente prevista. Naquele país, o Presidente é eleito pelo Parlamento, e o anúncio está a ser encarado como de alto risco, uma vez que pode pôr em causa a continuidade do Governo – uma coligação maioritária que se mostrou estável.

A decisão do Governo de Antonis Samaras surgiu escassas horas depois de os ministros das Finanças da zona euro terem decidido adiar as discussões sobre a saída da troika da Grécia para o início do próximo ano. Com esta jogada, Samaras espera poder criar estabilidade política no país. “O período que aí vem é crucial, não só para o cumprimento no acordo de empréstimo, como para tratar de todos os assuntos, como a dívida”, explicou ao povo grego Sofia Voultepsi, porta-voz do Governo. Esse debate, disse, deve ser feito “em condições de unidade nacional e estabilidade política”.

Só que Samaras corre o risco de ver o seu próprio cargo em risco. A lei grega prevê que o Parlamento seja automaticamente dissolvido e sejam convocadas eleições legislativas antecipadas se a eleição presidencial falhar. Para o Presidente ser eleito precisa dos votos favoráveis de 180 deputados – e atualmente o nome de Stavros Dimas, candidato proposto por Samaras, ainda não reúne esse número de apoios.

Entre os responsáveis governamentais, contudo, o sentimento dominante é que os deputados indecisos serão convencidos a apoiar Dimas até à data das votações. “Há um ímpeto positivo neste momento e estamos otimistas. Não podemos deixar que a incerteza política permaneça”, afirmou um alto funcionário do governo à Reuters, considerando que a extensão do programa da troika concedida pelos ministros da zona euro deu ao Governo alguma margem de manobra.

Neste momento, e já há vários meses, é o partido de esquerda Syriza que lidera as sondagens para as legislativas no país, pelo que a retórica de Samaras perante os deputados indecisos passará por tentar convencê-los de que votar em Dimas é votar pela estabilidade, enquanto um chumbo mergulharia o país em mais incerteza. O Syriza defende abertamente que a dívida grega não seja paga.

Na sequência do anúncio das eleições presidenciais antecipadas, a bolsa de Atenas registou fortes perdas. O principal índice grego acabou o dia de terça-feira com prejuízos de cerca de 13%, o que, para a Bloomberg, significa que os mercados “começaram a desistir da Grécia”.

Hoje mesmo, a crise grega fez subir os juros da dívida dos países da periferia do euro, em todos os prazos e no mercado secundário. Incluindo Portugal, que antes disto tinha atingido mínimos históricos.