O líder da concelhia de Lisboa do PSD está contra o novo modelo de gestão escolhido pelo Governo para a RTP. É um modelo “híbrido” que tem tendência para criar “vazios de poder”, diz Mauro Xavier ao Observador, que não percebe por que é que o Governo não avançou com a privatização da empresa tal como estava previsto no programa eleitoral.

A privatização de um dos canais da RTP era uma das prioridades do PSD de Pedro Passos Coelho, mas como Paulo Portas sempre se opôs a este processo, a criação do Conselho Geral Independente foi o acordo possível. Mas a solução desagradou a alguns sociais-democratas. Mauro Xavier, nome próximo do ex-ministro Miguel Relvas, que tinha a tutela da comunicação social antes de sair do Governo, é uma das vozes mais críticas contra o atual modelo de gestão da RTP.

“Não é carne nem é peixe”, diz o líder do PSD Lisboa ao Observador, criticando o facto de o modelo escolhido gerar um “impasse” em vez de gerar aquilo “que se pretende”, e que é a libertação de mais uma gordura do Estado e “liberalização do mercado de concorrência”. Para Mauro Xavier, o modelo de gestão do Conselho Geral Independente tem tendência para “original algumas falhas” e provocar “vazios de poder”. Ou seja, nem fica nas mãos do Governo nem nas mãos de privados.

Com o novo modelo, o CGI herda as competências de administração que antes estavam sob a tutela do Governo, mas a RTP permanece pública. Foi a forma encontrada pelo Governo para retirar o peso institucional do Estado, sem que se avançasse para a privatização. No entanto, os contribuintes continuam a pagar a taxa de audiovisual que sustenta a RTP o que, na ótica de Mauro Xavier, não está correto.

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