Os preços do petróleo continuam a ressentir-se dos sinais de aumento da produção em países como a Rússia e o Iraque e do facto de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) não ter cortado as quotas de produção, em novembro. A cotação do crude negociado em Londres desceu para menos de 55 dólares pela primeira vez desde o início de 2009 e em Nova Iorque o preço está muito próximo de 50 dólares.

O barril de crude do Mar do Norte negociado na InterContinental Exchange (ICE) de Londres está a cair pela terceira sessão consecutiva e derrapa 4,13%, segundo a Bloomberg. A cotação está no 54,09 dólares, depois de esta manhã ter atingido um mínimo de 2009 nos 53,75 dólares. Em Nova Iorque, o West Texas Intermediate (WTI) está a valer 50,80 dólares, com mínimo de sessão nos 50,55 dólares por barril. Também em Nova Iorque os preços estão a cair pela terceira sessão consecutiva.

Petróleo em Londres desce para menos de 55 dólares

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O preço do petróleo não conhece, em 2015, outra direção que não a descida. A cotação está abaixo dos 55 dólares em Londres e perto de 50 dólares em Nova Iorque. Fonte: Bloomberg

 

Um dos fatores que ajudam a compreender a descida abrupta do preço do crude é que a oferta está a aumentar – sem que a OPEP faça o que quer que seja para contrariar este facto – mas também a procura dá sinais de diminuir, sobretudo na Europa e na China. E também nos EUA, que continuam a ser o maior consumidor mundial de petróleo (e uma economia que está a crescer a um ritmo anual superior a 3%) mas que estão muito próximos da autonomia energética graças à revolução do petróleo e do gás de xisto.

Além disso, perante a forte quebra dos preços, que está a criar grandes dificuldades para países como a Venezuela, países como a Rússia estão a produzir mais, atingindo quotas de produção inéditas desde a queda da União Soviética. É também por esta razão que os analistas do Rabobank, em nota distribuída aos clientes esta segunda-feira, dizem que nem que os dados do emprego nos EUA – a divulgar sexta-feira – sejam muito robustos isso não deverá ser suficiente para inverter a tendência.

Leia mais sobre a queda dos preços do petróleo, as suas causas e consequências, no trabalho que o Observador publicou a 16 de dezembro.