O Syriza não tem “medo” da instabilidade que se possa gerar nos mercados caso o partido anti-austeridade vença as eleições do próximo dia 25 de janeiro. Alexis Tsipras, o líder da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) sabe que “os mercados não estarão a torcer para que ganhemos”, mas garante que a questão da renegociação da dívida é, também, importante para os investidores, não apenas para o país.

“Sabemos que os mercados não estarão, certamente, a torcer para que ganhemos as eleições e é possível que, inicialmente, mostrem alguma agressividade em relação a um governo de esquerda“, escreveu Alexis Tsipras num livro que será publicado esta semana em vários países europeus sob o título “Alexis Tsipras. A minha esquerda”. O líder do Syriza responde, assim, aos receios manifestados por alguns analistas e investidores de que uma eventual vitória do Syriza possa levar à saída da Grécia da zona euro. Um receio alimentado pela notícia publicada no domingo passado na alemã Der Spiegel e que dizia, citando fontes próximas de Merkel, que era assim que a chanceler alemã via as implicações do Syriza para a união monetária.

Numa altura em que cerca de 80% da dívida pública está nas mãos do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Central Europeu (BCE) e dos parceiros europeus, Tsipras advoga que “para os mercados, a questão da renegociação da dívida é fundamentalmente importante”. O Syriza quer avançar para uma renegociação da dívida com os credores, o que, de acordo com esta opinião do político, aliviaria o peso do endividamento público e, dessa forma, tornaria mais seguro investir em dívida grega. “Foi o que foi feito na Alemanha em 1953. É o que deve ser feito na Grécia em 2015”, atira Alexis Tsipras.

Syriza não consegue maioria absoluta, diz sondagem

Uma sondagem da Kapa Research publicada na noite de sábado pelo jornal grego To Vima diz que o Syriza conta nesta altura com 28,1% das intenções de voto na Grécia, contra os 25,5% do Nova Democracia. Uma diferença, portanto, de 2,6 pontos percentuais que, apesar do bónus de 50 deputados dado ao partido mais votado, não seria suficiente para que o Syriza garantisse uma maioria absoluta no parlamento.

Segundo a mesma sondagem, em terceiro fica o partido centrista Potami. O partido fundado pelo jornalista Stavros Theodorakis tem 6,5% das intenções de voto, um pouco menos do que a estimativa feita pelas primeiras sondagens após a queda do governo. Os nacionalistas da Aurora Dourada têm 5,4%, os socialistas do Pasok 5,2% e o partido comunista tem 5% das intenções de voto. Já o Movimento de Socialistas Democráticos, fundado pelo antigo primeiro-ministro Georges Papandreou, tem 2,8% das intenções de voto, não chegando aos 3% que correspondem ao mínimo para obter um assento no parlamento grego.