Depois de ter recusado publicar um cartoon do Charlie Hebdo por considerá-lo impróprio, o New York Times decidiu abrir o espaço de comentário a Marine Le Pen, líder do partido de extrema direita francês.

Na crónica, publicada em francês e numa tradução em inglês, a líder da Frente Nacional francesa, disse que França, “terra dos direitos humanos e da liberdade”, foi atacada por uma ideologia totalitarista — o fundamentalismo islâmico. Conhecida pelos seus comentários contra a imigração, Le Pen referiu a necessidade de os muçulmanos lutarem lado a lado com os franceses e de distinguirem o fundamentalismo do verdadeiro Islão. “O terrorismo islâmico é um cancro para o Islão”, escreveu. Le Pen acusou o governo francês de evitar o problema, recusando-se a “chamar as coisas pelos nomes” e de estar “em negação”.

“É apenas olhando o inimigo nos olhos que se pode evitar confundir as questões. Os próprios muçulmanos precisam de ouvir esta mensagem. Precisam que a distinção entre o terrorismo islâmico e a sua fé seja feita de forma clara. Contudo, esta distinção só pode ser feita se se estiver disposto a identificar a ameaça”.

Como um dos principais problemas, Le Pen refere as políticas de imigração europeias, que têm impedido a implementação e a assimilação de uma política de prevenção.

“O dogma da movimentação livre dos povos e bens está tão profundamente enraizada nos líderes da União Europeia que a simples ideia de controlar as fronteiras é vista como herética”.

Para a líder da extrema-direita, os vários governos têm falhado sucessivamente. Para que o fundamentalismo islâmico deixe de ser um problema, Le Pen defende que “tudo deve ser revisto”, desde os serviços de inteligência às forças policiais. Algumas das medidas sugeridas por Le Pen incluem a restrição do número de imigrantes, o controlo das fronteiras francesas e, a mais urgente de todas, a retirada de nacionalidade aos jihadistas nascidos em França. “Retirar a nacionalidade francesa aos jihadistas é uma necessidade absoluta”, referiu, sem porém explicar como é que tal deveria ser feito.

As reações à opinião da New York Times já começaram a surgir no Twitter. Philip Gourevitch da New Yorker, chamou ao artigo “um marco na luta pela legitimidade” do partido Frente Nacional. Outros utilizadores, mais críticos, chamaram uma “vergonha” à publicação, e houve até quem lembrasse a data escolhida pelo New York Times para a divulgação do artigo — o dia de Martin Luther King. Para a Quartz, uma coisa é clara — o artigo de opinião é uma facada nas costas de França.