Quando as coisas correm bem, os ministros das Finanças “são pessoas que não têm importância nenhuma”, defendeu Maria Luís Albuquerque manifestando a expectativa de de que as contas públicas sejam um “tema bem menos apaixonante na próxima legislatura”.

A ministra das Finanças, que falava esta quarta-feira nas jornadas Consolidação, Crescimento e Coesão do PSD, que decorreram no Porto, não falou diretamente da Grécia, mas deixou alguns recados com esse pano de fundo: “Sem trabalho, sem consistência, sem cumprimento de regras não podemos querer ter os benefícios de estar na União Europeia, de estar no euro, de ter parceiros comerciais, de ter acessos a mercados e de ter uma ambição legítima de uma vida melhor”.

Citada pela agência Lusa, Maria Luís Albuquerque deixou ainda esta comparação: “Somos ensinados desde pequeninos que não se pode ter tudo e frequentemente achamos que é muito injusto, “que nada se faz sem trabalho e depois curiosamente alguns chegam a adultos e esquecem-se e acham que é possível ter tudo”.

E em Portugal? A ministra defende que hoje se sente mais confiança, mais consumo, “há mais carros na estrada”, mas mantém a cautela quanto a uma descida dos impostos. “Cá estamos a chegar onde queríamos: reduzir mais na despesa do que aumentar na receita. Porque enquanto não reduzirmos estruturalmente na despesa, não vamos poder baixar os impostos, as taxas de imposto, que é claramente algo que queremos fazer”, disse Maria Luís Albuquerque perante uma sala cheia no Porto.

A governante assinalou ainda que a execução orçamental de 2014 foi obtida em dois terços graças à redução de despesa e um terço à custa de receita. Mas apesar de 2015 ter arrancado melhor do que o esperado, Portugal tem de voltar a reduzir o défice para 2,7%, uma meta que Bruxelas pôs em causa prevendo que o défice ultrapasse os 3% do Produto Interno Bruto (PIB).