Com a proposta de fusão do BPI com o BCP, “estamos a devolver o sentimento de ambição ao sistema financeiro português”, refere o porta-voz de Isabel dos Santos num comentário emitido depois de ser revelada a carta que a empresária angolana enviou aos presidentes do BCP, BPI e da CaixaBank.

Nesta reação são sublinhadas as diferenças face ao cenário resultante da oferta pública de aquisição (OPA) do CaixaBank sobre o Banco Português de Investimento. O comentário repete argumentos que são utilizados na carta remetida esta segunda-feira, sublinhando que a OPA catalã “pressupõe uma integração ibérica”, ainda que legítima em função dos interesses do CaixaBank, “mas afastada dos interesses do sistema financeiro português”, que, do seu ponto de vista, sai reforçado com o movimento de consolidação em Portugal.

Também quando lançou a oferta pública sobre a Portugal Telecom, no final de 2014, Isabel dos Santos queria oferecer uma alternativa aos acionistas em relação à venda da PT Portugal, que evitasse o desmantelamento do grupo de telecomunicações. A OPA, que não chegou ao mercado, ambicionava também ressuscitar o projeto de criação de um operador lusófono com dimensão mundial, que a Oi deixou cair quando avançou com a venda da operadora portuguesa.

No caso do BPI, o interesse de Isabel dos Santos é, no entanto, mais direto, uma vez que a empresária é a segunda maior acionista do banco. O objetivo assumido é o da “criação do maior banco privado com sede em Portugal” com presenças importantes nos mercados de Angola, Moçambique e Polónia. Segundo o porta-voz da empresária, esta solução “potencia muito mais valor para as instituições em causa e para a economia”. Não são para já revelados valores de eventuais sinergias resultantes da operação.