O presidente do Tribunal de Contas (TdC), Guilherme d’Oliveira Martins, disse esta quarta-feira acreditar na permanência da Grécia no euro, alertando para os perigos da saída do país da união monetária, e defendeu a flexibilização do Tratado Orçamental.

“Não tenho dúvidas [de que a Grécia vai permanecer no euro] (…) Só pergunto o que é que aconteceria neste momento à Grécia se não estivesse no euro. A sua soberania seria mais frágil; está numa zona geoestratégica de grande instabilidade; e (…) à crise económica e financeira com que nos defrontamos pode suceder, e temos de o evitar, uma guerra”, disse Guilherme d’Oliveira Martins à agência Lusa.

O presidente do TdC falava à Lusa no final da conferência ‘Grécia, e Agora?, que decorreu durante o dia de hoje na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde defendeu também a flexibilização do Tratado Orçamental.

“Quem vir o Tratado Orçamental como um conjunto de balizas rígidas não vê a sua essência. Ele é um caminho de ajustamento. É um ajustamento europeu, após a crise europeia que vivemos, que vai ser longo, que obriga a disciplina fundamental, que corresponde a saldos primários positivos”, defendeu.

Questionado pela Lusa sobre o que é que a situação da Grécia está a ensinar à União Europeia, Guilherme d’Oliveira Martins disse “não ter dúvidas” de que a conclusão pode ser positiva.

“A necessidade de encontrarmos mecanismos económicos que completem os mecanismos monetários através de mais recursos orçamentais europeus para garantir uma melhor e maior coesão social”, disse.

No painel de encerramento da conferência, participaram ainda os eurodeputados Diogo Feio e João Ferreira, com este último a defender a saída de Portugal do euro, não como “varinha mágica para os problemas do país”, mas como “condição necessária” para “libertar o país dos constrangimentos de pertencer à zona euro”.

Na conferência participou também o professor da Universidade de Lisboa Paulo Pitta e Cunha, que considerou que a saída da Grécia do euro “será um erro”, pela previsível “fuga de capitais massiva”, considerando que o mesmo argumento se aplica a Portugal.