O secretário-geral do PCP e o seu antecessor, Carlos Carvalhas, engrossaram nesta terça-feira as vozes contra o “euro forte” e as imposições da União Europeia, reiterando a necessidade de uma política alternativa e de juntar esforços a outros países.

“É obrigação de um futuro governo, que assuma efetivamente a defesa dos interesses nacionais, dos trabalhadores e do povo, preparar o país para a saída do euro, por iniciativa própria ou forçada por terceiros, num processo que pressupõe ser articulado com outros países a braços com os mesmos problemas”, defendeu Jerónimo de Sousa, na primeira de várias audições com representantes de diversos setores da sociedade, em Lisboa, com vista à elaboração do programa eleitoral comunista para as eleições legislativas.

Segundo o líder do PCP, o partido “não tem qualquer dúvida sobre a incompatibilidade da permanência num euro forte e na União Económica e Monetária e uma política alternativa capaz de travar o rumo para o desastre em curso” e “é uma certeza que hoje poucos questionam de que Portugal perdeu muito com o euro e é cada vez mais evidente que ainda pode perder mais”.

“O país precisa de estudar e preparar-se para uma eventual saída do euro, tendo como preocupação central defender os rendimentos e poupanças da generalidade da população”, continuou, sublinhando os vários constrangimentos enfrentados pela economia portuguesa, nomeadamente a dívida externa insustentável, que terá de ser “renegociada”. Jerónimo de Sousa destacou o aumento da produção nacional e o aumento dos rendimentos, através de uma distribuição mais justa, como o caminho pelo qual deve enveredar.

O anterior secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, previu vir aí “um filme conhecido” nas próximas eleições: “eventualmente a coligação PSD/CDS, depois a saída das diversas sondagens, empate técnico entre o PS e os outros blocos, a procura pelo voto útil e a magia das promessas, que vai ser maior com o apoio ainda da União Europeia (UE), de Juncker (Comissão Europeia), de Draghi (Banco Central Europeu)”.

“Lembrar a grande promessa feita há 15 anos, na cimeira de Lisboa, em que se dizia que a UE será em 2010 uma economia do conhecimento, a mais dinâmica e competitiva do Mundo. Estamos em 2015 e vemos como estamos. Penso que quem concretizou isto foi a China”, afirmou.

O atual líder comunista ainda apresentou algumas queixas para com os “centros de decisão da comunicação social” por “cortarem” a “proposta do PCP e seus conteúdos”, apesar de já terem sido falados “aí 154 vezes” em diversos eventos e sessões.

“Não temos comunicação social para esta batalha, mas temos aquilo que nos diferencia. Temos um grande destacamento de homens, mulheres, democratas, patriotas, camaradas, organizações, associações que vão travar esta batalha das eleições porque ela vai determinar muito da evolução da vida política nacional nos próximos anos”, concluiu.