A compra de imobiliário, através do programa de vistos ‘gold’, atingiu em fevereiro 55 milhões de euros, traduzindo um “regresso à tendência de crescimento” registada até novembro de 2014, segundo a Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI). Dos 2.203 vistos atribuídos desde 2012, 2.088 devem-se à aquisição de casas, 113 à transferência de capitais e três por criação de pelo menos 10 postos de trabalho.

Em comunicado, a CPCI informou que o programa registou um total de investimentos de 62 milhões de euros, dos quais 95% correspondem à área do imobiliário. No total, a compra de casas ultrapassou os 1,2 mil milhões de euros desde o início do programa lançado em 2013.

A CPCI notou que o acumulado de investimentos no final de 2014 superou os 900 milhões de euros, dos quais 91% correspondentes a imobiliário, “valores que são três vezes superiores aos registados em 2013”.

Os cidadãos chineses lideram os investimentos em imobiliário em Portugal, ao abrigo do programa dos vistos ‘gold’, que no mês passado registou 103 autorizações de residência, segundo a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

Na lista dos dados acumulados deste programa, 1.777 chineses tinham comprado uma casa pelo mínimo de 500 mil euros desde 2012, sendo seguidos por 74 investidores brasileiros e 70 russos, lê-se no comunicado divulgado pela APEMIP.

“De um registo de 46 milhões em janeiro, o mês de fevereiro volta a apontar para uma evolução significativamente favorável, tendo sido concedidas 103 novas Autorizações de Residência para Atividade de Investimento, das quais 96 resultam de investimento em imobiliário”, indicou a CPCI.

Quando se aguarda a aprovação do alargamento dos vistos ‘gold’ à reabilitação urbana, atividades de investigação ou apoio à produção artística e cultural e a majoração dos projetos realizados em territórios de baixa densidade, a confederação caracterizou estes últimos números como de “especial relevância”.

As alterações podem “continuar a atrair novos investidores para o país, intensificando e consolidando todos os resultados já obtidos”, considerou aquela entidade.

O programa de atribuição de vistos prevê a emissão de autorizações de residência para estrangeiros, oriundos de fora do espaço Schengen, com investimentos em Portugal por um período mínimo de cinco anos.

O Ministério da Administração Interna decidiu em novembro investigar a atribuição destes vistos, na sequência da Operação Labirinto, que desmantelou uma rede de corrupção, na qual, alegadamente, participaram representantes de organismos do Estado.