A Guarda Civil Espanhola deteve na madrugada desta terça-feira em Badalona, perto de Barcelona, quatro membros da mesma família por tentarem enviar dois filhos menores, gémeos de 16 anos, para se juntarem ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI) na Síria, conta o jornal espanhol El País.

A família já teria enviado um outro filho, Yassin Atanji, que se juntou ao grupo jihadista Harakat Sham al Isam (HSI), constituído predominantemente por membros de origem marroquina, e também instalado na Síria. Atanji acabou por morrer no ano passado em combate.

Os dois gémeos preparavam-se para partir para a Síria esta terça-feira de manhã, escapando por Marrocos. Os jovens já tinham contactado com membros das redes de recrutamento, para facilitar a sua viagem via Turquia. O plano passava por aproveitar a movimentação de turistas durante a Semana Santa para passarem despercebidos.

Os menores, detidos esta terça-feira, abandonaram os seus estudos académicos em Badalona para estudar o Corão em Marrocos, e entraram num processo de radicalização. Para os gémeos, o seu irmão Yassin, morto em 2014 na Síria, era um “mártir” cujo exemplo queriam seguir, escreve o El País.

Os detidos já estavam a ser investigados devido ao “elevado grau de radicalização apresentado no seu ambiente imediato”, conta a Guarda Civil Espanhola. A mãe era a principal influência nesse processo de radicalização.

Uma das vizinhas da família afirmou que antes de iniciar o processo de radicalização após uma viagem a Marrocos no verão, a família era exemplar. “Voltaram muito alterados”, garantiu. A casa da família em Espanha localizava-se num bairro onde a presença da polícia é habitual, conta outro vizinho.

Esta é a quarta intervenção contra redes de captação jihadista este ano em Espanha. Durante 2014, a polícia e a Guarda Civil Espanhola prenderam 47 suspeitos de terrorismo jihadista dentro do território espanhol.