“Já alguma vez o trataram como um rei? Deixe-me dizer-lhe, é muito bom”. É assim que Mark Landis descreve a forma como foi tratado durante anos por museus e colecionadores de arte. Mark Landis é um falsificador e apesar de ter conseguido enganar vários museus e galerias ao longo dos anos, não é um profissional. É apenas um homem com jeito para fazer cópias que quis impressionar a mãe. Esta é a história de um homem que não é acusado de qualquer crime. Afinal, ele nunca recebeu dinheiro pelas obras que pintava.
A história está hoje na BBC e conta que um homem, Mark Landis, enganou durante mais de trinta anos vários museus com obras falsas. Era visto como altruísta, como um bom colecionador de arte e bom patrono que oferecia a museus obras raras, de pintores, na maior parte das vezes de autores pouco conhecidos.
A carreira de Landis (se é que se pode chamar carreira) como falsificador de arte começou ainda nos anos 80, quando ofereceu algumas pinturas a um museu na Califórnia, identificando os quadros como sendo do pintor Maynard Dixon. “Foi um impulso para impressionar a minha mãe. Sempre admirei os colecionadores ricos que apareciam na televisão a oferecer pinturas a museus”, conta o falsificador. Landis explica ainda a escolha da primeira falsificação. “Eu sabia que o museu queria pinturas de cowboys, então foi o que fiz”, mas para o fazer foi preciso arte e engenho. Para melhor saber como imitar o artista cowboy, Landis fechou-se numa biblioteca a ver fotografias e índios americanos e copiou uma série delas. Estava feita a primeira falsificação.
Mark Landis sofreu uma depressão nervosa depois da morte do pai e foi diagnosticado com esquizofrenia. E desde cedo mostrou um talento especial para copiar e para o fazer bastante rápido. À BBC conta que não usa grandes químicos, como outros falsificadores de arte e que demora uma a duas hora a completar uma pintura.
Mas o esquema de doação de quadros ruiu quando em 2008 oferece algumas pinturas ao Museu da Cidade de Oklahoma. Landis ofereceu àquele museu vários trabalhos que dizia serem de Paul Signac. Quando recebeu de uma só vez cinco pinturas deste artista, vindas de Mark Landis, um dos responsáveis do museu fez uma pesquisa e encontrou referências em dois outros museus de obras de Signac, creditadas a Mark Landis. E foi aí que começou o alerta. Conta o responsável do museu, que chegou a pendurar um falso Louis Valtat ao lado de um Renoir, que numa hora recebeu telefonemas de cerca de vinte instituições a questionarem sobre quem era Mark Landis. O esquema caiu por terra. O mesmo responsável até diz que as obras tinham um bom nível de falsificação, mas que não passariam num escrutínio mais apertado até porque, por exemplo, Landis usava café para envelhecer alguns dos trabalhos.
Como não envolveu troca de dinheiro, Mark nunca foi acusado de nenhum crime.
Na verdade, este homem, que enganou dezenas de museus, só foi apanhado por produzir em série. Landis ofereceu cópias do mesmo trabalho a vários museus e só por isso foi apanhado. Até porque, acredita o responsável deste museu, muitos dos curadores e diretores de museus até podem ter descoberto a fraude a dada altura, mas preferiram nada dizer para não serem envergonhados publicamente por não terem reconhecido falsificações à primeira vista.