Aldeia da Mata Pequena

Quando se passeia pelas ruas estreitas da Aldeia da Mata Pequena é muito difícil acreditar que se está a menos de 30 quilómetros de Lisboa. Mas os mapas não mentem. A Mata Pequena fica junto a Mafra e é dos poucos exemplares que conserva a identidade saloia praticamente intacta, com todos os elementos tradicionais no devido lugar. Foi recuperada em 2005 por Diogo Batalha, neto de José Franco, o célebre ceramista e oleiro que construiu a famosa réplica de uma aldeia da região em miniatura, ali bem perto, no Sobreiro.

Como chegar?
A partir de Mafra, seguir pela N116 até à Carapinheira e, a partir daí, optar pela N9, em direção a Sintra. Em Cheleiros, subir até à Igreja Nova e, depois, seguir as placas que dizem Mata Pequena.

Onde ficar?
Hoje, a Aldeia da Mata Pequena é, quase toda ela, uma unidade de turismo rural com dez casas de diferentes tipologias, do T1 ao T3, e diárias que variam, nesta altura, entre os 60 e os 120€.
Rua São Francisco de Assis, Igreja Nova. 21 927 0908. diogobatalha@aldeiadamatapequena.com

O que comer?
Dentro da própria aldeia encontra-se a Tasquinha do Gil, um restaurante que recupera o espírito das antigas tasquinhas de aldeia, com uma ementa à base de petiscos criativos.

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Castelo Rodrigo

Está no topo de uma colina e domina o planalto que se estende para a vizinha Espanha, a leste, até ao vale profundo do Douro, a norte. Castelo Rodrigo (não confundir com a vizinha Figueira de Castelo Rodrigo) é uma pequena, pequenina, aldeia que facilmente se descobre a pé numa mão cheia de minutos. Mas nem por isso perde o interesse: conhecê-la é fazer uma viagem no tempo, não fossem as fortificações seculares e as ruas empedradas parte do cenário bucólico.

Como chegar?
A partir da Guarda, apanhar a A25 e sair na saída 33 em direção à N332, até chegar ao destino.

Onde ficar?
Apesar da dimensão reduzida, na aldeia cabe a Casa da Cisterna, um turismo rural que concilia uma envolvente rural com infraestruturas modernas — o projeto foi criado por dois biólogos alfacinhas que trocaram a capital pela quietude da Beira Interior.
Rua da Cadeia, 7, Castelo Rodrigo. 91 761 8122 / 27 131 3515. casadacisterna@casadacisterna.com

O que comer?
A loja Sabores do Castelo pertence a André Carnet, um francês que, apaixonado por uma portuguesa e por Portugal, por ali ficou a vender amêndoas doces ou salgadas, pastas de azeitonas, vinhos da região, ginjinha, licores e até mel biológico.

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Marialva

Quase desabitada, quase perdida no tempo, mas ainda assim merecedora de uma visita. A paisagem de Marialva, bem perto de Mêda, é marcada por aquilo que em em tempos foi um castelo de características defensivas e que, hoje em dia, faz companhia às ruínas no interior da cidadela.

Como chegar?
A partir da Guarda, apanhar a N16 até ao IP2 em direção a Norte. Sair no IP2 para Marialva.

Onde ficar?
Um conjunto de casas em granito pontua a paisagem da aldeia: as Casas do Côro há muito que fazem parte de Marialva, contribuindo para o desenvolvimento da economia local através da criação de emprego e de compras feitas ao comércio tradicional.
Casas do Côro, Marialva. 91 755 2020. reservas@casasdocoro.pt

O que comer?
No Casão do Largo, que pertence ao turismo rural, são servidos jantares. É possível comer cabrito desossado acompanhado com batata assada, castanhas e rolo de verduras, rolo de puré tosco de bacalhau com pão crocante, empadão de perdiz na cocotte ou arroz de coentros com garoupa ao vapor, entre outras sugestões. As sobremesas, essas, são conventuais e com receitas a mando da tradição.

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Provesende

Leva o rótulo de aldeia vinhateira do Douro e não é para menos: fixada no alto de um planalto, com vista para as vinhas da região demarcada mais antiga do mundo, é um destino de eleição para quem encontra no vinho um paliativo para alma. Contam-se pouco mais de nove quilómetros quadrados de área de uma aldeia com alma antiga e rural, sendo que o seu pulsar está junto ao Largo da Praça, onde se mete a vista em cima do pelourinho, igreja e fonte pública seculares.

Como chegar?
A partir de Peso da Régua, apanhar a A24 com destino a Vila Real. Sair em direção a Vila Real / N322 (saída 13). Em Sabrosa, tomar a N323 para Provesende.

Onde ficar?
O Morgadio da Calçada é uma das 13 casas senhoriais de Provesende: são oito quartos que ocupam o que um dia foram as cavalariças e os armazéns agrícolas da quinta.
Largo da Calçada, Provesende, Sabrosa. 91 534 7555. mvb@morgadiodacalcada.com

O que comer?
Vale a pena fazer um desvio de 10 quilómetros até Pinhão, nas margens do Douro, e procurar (nem é preciso procurar assim tanto) o talho Qualifer, onde o senhor Fernando é, mais do que um talhante, um fabuloso anfitrião. Mal o cliente chega, é brindado com três fatias de salpicão. Se Fernando estiver bem humorado senta-o depois num dos banquinhos de rebater da casa e serve banquetes de três horas com chouriço ao natural, grelhado, picante ou nao picante acompanhado de tinto, branco, Porto ou moscatel, vindo de pequenas pipas de alumínio.

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Pena

É um destino para destemidos: para aqui chegar é preciso percorrer uma estrada íngreme, onde só passa um carro de cada vez, e o casario parece desafiar as leis do equilíbrio e da gravidade, “pendurado” que está ao longo de um promontório. O xisto e o quartzito uniram-se para criar, em Pena, a malha urbana de uma aldeia que apenas tem uma rua e várias pequenas quelhas. Mas se os homens não se medem aos palmos as aldeias muito menos.

Como chegar?
A partir de Coimbra, apanhar a N236 em direção à Lousã. Sair para a N342, na placa Arganil/Góis/Vilarinho. Continuar na N342 até Pena.

Onde ficar?
Entre as casas erigidas em blocos de xisto estão duas que foram transformadas em unidades de turismo — a Casa do Neveiro (90€/noite) e a Casa da Cerejinha (100€/noite). Ambas mantêm a traça antiga e conciliam as comodidades de hoje com a rusticidade de ontem.
Pena, Góis. 23 970 4089 / 91 400 9194. neveiro@casasdapena.com / cerejinha@casasdapena.com

O que comer?
Dona Lurdes é a proprietária da Tasquinha da Pena, o único estabelecimento da aldeia que “vai existindo”. Não sendo propriamente um restaurante, serve de apoio a quem lá passa e aposta nos produtos da terra. Funciona por marcação.

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Luz

A polémica sobre o realojamento dos moradores da antiga aldeia da Luz, submersa pelo enchimento da barragem do Alqueva, marcou parte da atualidade no final dos anos 90. A solução encontrada acabou por ser a que melhor respeitava a vontade dos seus moradores: a reconstrução fiel da aldeia a dois quilómetros da localização original, igreja matriz e cemitério incluídos. A nova Luz ganhou também um museu que relata todo esse processo e dá a conhecer a vida da antiga aldeia bem como da sua população. O respetivo projeto arquitetónico é assinalável.

Como chegar?
A partir de Évora, apanhar a N256 até Mourão e, daí, seguir as indicações até à Luz.

Onde ficar?
O Monte Falperras fica a apenas três quilómetros da Luz e a cinco minutos da Lagoa do Alqueva, para onde a maioria dos quartos (70 a 90€/noite) tem vista. A piscina (rodeada por oliveiras) e os alpendres convidam ao descanso. Na Páscoa ou em qualquer altura.
Luz, Mourão. 96 642 0695. falperrasalojamento@gmail.com

O que comer?
Difícil, nesta zona do Alentejo (ou mesmo em qualquer outra), é comer mal. Em Mourão, tem fama o Adega Velha, instalado numa antiga adega, onde se serve grande parte do receituário clássico da região, do ensopado de borrego ao cozido de grão.

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Travancinha

Não difere muito da maioria das aldeias que se situam nas imediações do Parque Natural da Serra da Estrela: ou seja, não faltam construções em granito e gente que passeia os rebanhos e segue para trabalhar no campo. Tal como acontece um pouco por toda a região, em Travancinha também há vestígios da presença romana, sob forma de uma calçada e de um castro. Além da sua beleza natural, a sua localização permite chegar facilmente a todos os pontos de interesse das redondezas.

Como chegar?
A partir de Coimbra, seguir pela IP3 e pela A35 em direção a Cabanas de Viriato e Carregal do Sal. Sair para a N337 e entrar na N230 até encontrar as placas indicativas.

Onde ficar?
O Chão do Rio fica em Travancinha e é uma espécie de aldeia dentro da aldeia, com casas de pedra, um lago que convida a mergulhos, e onde os hóspedes recebem pão fresco diário, podem fazer churrascos, dormir a sesta nas camas de rede e desfrutar da natureza em redor. A partir de 90€/noite.
Rua da Calçada Romana, Travancinha. 91 952 3269. chaodorio@chaodorio.pt

O que comer?
Estando nas imediações da Serra da Estrela é pecado capital não provar o famoso queijo da região, a solo ou em combinação com doce de abóbora. Para refeições mais completas pode sempre optar-se pelo típico arroz de carqueja com entrecosto.

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Sortelha

É uma das chamadas aldeias históricas de Portugal, e a designação não vem ao acaso. Fica a quase 800 metros de altitude, numa zona granítica muito acidentada, onde as casas encaixam na perfeição, como se fizessem parte de um puzzle em altura. Esta disposição original cria inúmeras vielas que fazem o visitante sentir-se algures na Idade Média. O sentimento é reforçado pelo círculo de muralhas e respetivo castelo altaneiro, que data do século XIII.

Como chegar?
A partir da Covilhã, seguir pela N230 até Canhoso e, a partir daí, apanhar a N18 em direção ao Sabugal até chegar a Sortelha

Onde ficar?
A 15 quilómetros de Sortelha, em Caria, outra aldeia que merece ser descoberta, fica o Passado de Pedra, um belíssimo conjunto de edifícios com seis habitações unidos por um pátio de pedra. O preço por noite varia entre os 60 e os 80€ nesta época.
Rua Professora Gracinda Galiano, Caria, Belmonte. 91 941 6612. info@passadodepedra.com.pt

O que comer?
A gastronomia da região é rica em sugestões bem substanciais como os enchidos com grelos, o bacalhau à lagareiro ou o cabrito à serrana. As xeróvias, uma raiz que se cultiva na região, também se comem por ali, de preferência fritas.

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Querença

O interesse nesta bonita aldeia do interior algarvio não é apenas arquitetónico ou paisagístico: Querença foi alvo de um projeto da Universidade do Algarve que visou potenciar a sua atividade rural e criar condições para combater a desertificação. O projeto deu frutos e hoje a aldeia é palco de inúmeras atividades, entre elas um excelente mercado mensal, no último domingo de cada mês, que reúne os melhores produtos da região. Um mergulho na vizinha Fonte da Benémola é obrigatório.

Como chegar?
A partir de Loulé, apanhar a N396 serra acima, até encontrar as placas que indicam Querença.

Onde ficar?
O Monte dos Avós é uma casa de campo tipicamente algarvia, restaurada em 2001, que conta com três apartamentos individuais (T1 e T2) e seis quartos duplos. O pequeno-almoço é opcional mas vale o investimento, já que é composto, na sua maioria por produtos biológicos vindos das redondezas.
Rua da Eira, Várzeas de Querença. 93 831 1221 / 91 356 4786. montedosavos@gmail.com

O que comer?
No centro de Querença, o restaurante homónimo pratica uma cozinha honesta, tipicamente serrana, onde se destacam coisas como o ensopado de javali.

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Castelo Novo

A primavera é a melhor estação do ano para visitar a Serra da Gardunha por ser quando as cerejeiras que cobrem a encosta ficam em flor. O manto branco que daí resulta é visível a partir de outra das aldeias históricas de Portugal desta região, a de Castelo Novo. A sua beleza é incontestável: José Saramago chamou-lhe “Dulcineia da Beira”, no livro Viagens de Portugal, de 1981. O castelo que dá nome à povoação merece uma visita, apesar de já não ser novo desde o século XII, quando foi erguido.

Como chegar?
A partir do Fundão, sair da A23 na saída 27, em direção a N18/Alpendrinha/Castelo Novo. Depois é só percorrer cerca de dois quilómetros até chegar ao centro da aldeia.

Onde ficar?
A Cerca Design House foi inaugurada há pouco mais de uma semana. Fica em Chãos, a pouco mais de uma dezena de quilómetros de Castelo Novo, e nasce da remodelação de um solar do século XVII. O acesso aos dez quartos, piscina e serviço de massagens e SPA exige uma diária que varia entre os 85 e os 150€.
Largo da Praça, nº1, Chãos, Fundão. 96 475 6466 / 27 575 9060. info@cercadesignhouse.com

O que comer?
Como ainda é cedo para aproveitar a época da cereja (começa no início de junho), o melhor é aproveitar para provar alguns pratos típicos como as migas de grão ou o cabrito no forno. Levar biscoitos de azeite para a viagem de regresso também não é má ideia.

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