“No caso de ser atacado por uma fome extrema que o faça temer pela sua saúde” o homem pode “alimentar-se de uma parte ou de todo o corpo da sua mulher”. O ato é uma “prova do sacrifício e da obediência da mulher para com o marido e do seu desejo de que os copos, em comunhão, se tornem numa só carne”. Esta foi a controversa lei islâmica, ou fatwa, alegadamente anunciada esta quinta-feira em nome do mais alto líder religioso da Arábia Saudita, Abdullah Ibn Abdul Aziz Ali Sheikh, mas que foi desmentida um dia depois, segundo a publicação inglesa do International Business Times.

O grande mufiti da Arábia Saudita negou que a lei alguma vez tivesse sido anunciada e acusou os “inimigos do Islão” de estarem por trás da notícia falsa, publicada em diversos jornais, entre eles o New York Times. “A fatwa atribuída a nós é falsa. Não é nada mais que uma mentira… que circulou para distorcer a imagem do Islão que tem elevado e garantido um estatuto de dignificação dos homens e das mulheres, sem exceções”, afirmou num comunicado à Saudi Press Agency.

Apesar de ter corrido as redes sociais e os jornais nesta quinta-feira causando grande indignação, a lei islâmica atribuída a Abdullah Ibn Abdul Aziz Ali Sheikh nunca foi formalmente anunciada. As autoridades religiosas da Arábia Saudita rapidamente desmentiram a veracidade da notícia.

Contudo, esta não seria a primeira vez que o líder religioso saudita se colocaria no centro de uma controvérsia. Recentemente, o grande mufiti afirmou que todas as igrejas no Médio Oriente deveriam ser destruídas. O líder também proclamou uma fatwa que autorizava o casamento de meninas com idade inferior a 15 anos com homens de idade muito mais avançada, geralmente escolhidos pelos seus pais.

Abdullah Ibn Abdul Aziz Ali Sheikh disse também que a rede social Twitter era “a fonte de todo o mal”.