Água transparente, praias bonitas, casas coladas ao mar e tudo a menos de 100 quilómetros de Lisboa. A Comporta é uma terra que pisca o olho às férias e escapadelas de fim de semana e, nos últimos tempos, também a discussões e “tensão” no meio da família Espírito Santo. Porquê? Pois tem a posse da Herdade da Comporta, ou melhor, das empresas que a gerem, as mesmas que, por enquanto, não desbloqueiam o processo de venda da herdade. Algo que está a deixar descontente um grupo de nove acionistas minoritários do projeto.

Alguns membros da família, escreve esta segunda-feira o Jornal de Negócios, acusam a Gesfimo, sociedade gestora do GES (Grupo Espírito Santo) e da Herdade da Comporta, de estar a paralisar o projeto, além de não informar os acionistas minoritários e de dificultar o agendamento de assembleias-gerais de acionistas. “Há meses que não há definição sobre o que vai ser o futuro da Comporta. Não é obrigatório que a falência da Rioforte leve à paralisação do projeto”, defendeu Michael Espírito Santo, um dos nove acionistas minoritários, ao diário.

A Rioforte, sociedade que detém a maioria (56,6%) das unidades de participação na Herdade da Comporta, está hoje em insolvência judicial no Luxemburgo, onde tem sede fiscal. Desde o início deste processo que os projetos turísticos previstos para a Comporta bloquearam, face à dificuldade em atrair novos investidores. O grupo dos nove investidores minoritários controla 6% da Herdade da Comporta — Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado (FEIIF).

O Negócios adianta que as assembleias-gerais, já por várias vezes pedidas por estes nove investidores, ainda não foram convocadas por alegada falta de provas de que o grupo tenha participações no FEIIF. O fundo é gerido por Carlos Beirão da Veiga, líder da Gesfimo e também da empresa Atividades Agro Silvícolas e Agrícolas, S.A., que detém 80% dos terrenos da Comporta.

Investidores à vista

O mesmo diário, também esta segunda-feira, noticia que existem dois cidadãos norte-americanos, sócios da Armory Merchant Holdings, uma private equity sediada em Nova Iorque, que já reuniram 400 milhões de euros para investirem na Herdade da Comporta. Uma quantia, defendem, que “mais ninguém oferecerá”.

Chamam-se Asher Adelman e David Storper. O segundo dá a cara pela empresa, enquanto o primeiro é quem melhor conhece Portugal. Dizem ter 200 milhões de euros só para saldar as dívidas do FEIIF e da Herdade da Comporta e um acordo, com a Caixa Geral de Depósitos, para comprarem o crédito detido pelo banco sobre o fundo. “A Comporta é o melhor resort de praia do mundo. Porque não é um resort”, argumentou Adelman.

A proposta já é real e um dos acionistas minoritários da herdade confirmou-o ao Negócios. “São pessoas com uma enorme capacidade negocial e de investimento”, analisou Michael Espírito Santo.