O debate de quarta-feira no Parlamento foi duro para o PS, com Paulo Portas a juntar-se a Maria Luís Albuquerque para dizerem que o programa económico dos socialistas era o caminho “mais fácil” para o regresso da troika. Agora, foi a vez de o líder do PS, que não tem lugar nos debates plenários, responder às críticas do Governo. Falando aos jornalistas à margem de uma reunião do grupo parlamentar, António Costa contrapôs que o caminho mais fácil para a troika continuar em Portugal é “manter este Governo”. Aliás, disse, a troika ainda não saiu do país. Agora tem é outra composição: Paulo Portas, Passos Coelho e Cavaco Silva.

“Não sei se se lembram, o doutor Paulo Portas até teve um relógio a contar o tempo até a troika sair, mas ainda ninguém deu pela saída da troika. Agora a troika tem outro nome e outra composição: Paulo Portas, Passos Coelho e Cavaco Silva”, disse, instado a reagir às duras críticas feitas pelo vice-primeiro-ministro durante o debate destinado à discussão do Programa de Estabilidade e do Plano Nacional de Reformas, que o Governo vai apresentar junto da Comissão Europeia com as medidas económicas para os próximos anos.

Para António Costa, o debate travado na quarta-feira no Parlamento com a presença do vice-primeiro-ministro e da ministra das Finanças, que acabou por se centrar mais no programa do PS do que no programa do Governo, mostrou precisamente que “o Governo e a maioria já desistiram de defender as suas propostas” e já “transitaram para a oposição, preferindo atacar o nosso programa em vez de defenderem o deles”.

Em defesa do programa que está debaixo de fogo desde terça-feira, quando foi apresentado pelo economista Mário Centeno, Costa afirmou que se trata de um “plano A”, desenhado em cima do atual quadro europeu e “exequível” nessa base. Mas que pode transitar para um “plano B” se alguma coisa entretanto mudar na zona euro. “Prefiro ter um plano B que nos dê mais margem de manobra do que um plano A condenado ao fracasso”, sublinhou, afirmando-se convicto de que o cenário macroeconómico traçado pelos 12 economistas não terá consequências negativas para a economia quando posto em prática.

O líder socialista defendeu por isso com unhas e dentes o programa que tem em mãos pelo menos até junho, altura em que apresentará o documento eleitoral final, afirmando que se trata da prova de que “é possível acabar com a austeridade sem romper com o euro”.

Questionado sobre se as medidas propostas pelos economistas do PS têm em conta a sustentabilidade da segurança social, Costa afirmou que sim, na medida em que as propostas em cima da mesa “diversificam as formas de financiamento da segurança social, propondo novas fontes de receita, como a taxa sobre a precariedade, o imposto sucessório sobre as heranças milionárias e o facto de parte do IRC servir para financiar o sistema da segurança social”, disse. No debate plenário de quarta-feira, Portas tinha sido muito duro neste ponto, afirmando que o PS, com este programa, se dispunha a “abrir o maior buraco de sempre na segurança social e na caixa geral de aposentações”.

Depois de ter estado na quarta-feira à noite reunido com a Comissão Política do partido, esta manhã foi a vez de António Costa se reunir com a bancada parlamentar do Partido Socialista, numa reunião que se realiza por norma todas as quintas-feiras, mas raramente com a presença do secretário-geral. Segundo Costa, as reações que tem recebido dos militantes e membros do partido ao programa económico apresentado esta semana têm sido “globalmente muito positivas”.