A Austrália instou hoje a Indonésia a garantir que todos os processos legais são ilibados de corrupção antes de executar dois dos seus cidadãos, numa altura em que surgem acusações contra os juizes.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, falou com o seu homólogo indonésio Retno Marsudi no domingo à noite, enquanto o primeiro-ministro Tony Abbott escreveu ao Presidente Joko Widodo para pedir novamente que as execuções sejam suspensas.

Os traficantes de droga australianos Myuran Sukumaran e Andrew Chan podem ser executados na terça-feira, juntamente com outros reclusos do Brasil, Nigéria, Filipinas e Indonésia.

Bishop argumentou que os homens não devem ser executados enquanto há dúvidas legais.

“Devo indicar que os advogados de Chan e Sukumaran vão apresentar recurso ao Tribunal Constitucional da Indonésia”, disse à rádio ABC.

“Decorre também uma investigação, em separado, da Comissão Judicial Indonésia a suspeitas de corrupção no julgamento original. Estes dois processos levantam questões sobre a integridade da sentença e o processo de clemência”, indicou.

Por esse motivo, Bishop pediu a Marsudi que “nenhuma ação seja tomada em relação às propostas execuções até que estes processos legais sejam determinados”.

Hoje, a Fairfax Media publicou alegações de corrupção por parte dos juízes que condenaram os dois australianos, em 2006, acusando-os de terem pedido o equivalente a cerca de 96 mil euros, na altura, para que fossem atribuídas penas de prisão inferiores a 20 anos.

O grupo de media cita o então advogado indonésio, Muhammad Rifan, que disse que o acordo caiu por terra por intervenção de Jacarta, que alegadamente ordenou que os dois fossem condenados à morte.