Aos 26 anos, Hélder Pinto não é o homem dos sete instrumentos, mas antes o homem dos 15 sinos, ‘ao leme’ dos quais dá autênticos concertos, do alto da torre da igreja de Arentim, em Braga.

Começou aos 13 anos a ‘explorar’ os sinos daquela igreja e rapidamente se transformou no “tocador oficial” da paróquia, para missas, casamentos, batizados ou funerais, mas também para presentear e surpreender plateias com o “Parabéns a você”, o “Hino da alegria” ou o “Malhão, malhão”. “Tenho um reportório que dá, à vontade, para um concerto de uma hora”, refere, em declarações à Lusa.

No alto da torre da igreja de Arentim, Hélder confessa sentir-se “um verdadeiro artista”. Senta-se num banco e, com os pés e as mãos, através de uma engenhosa teia de arame, manobra 15 sinos, deles arrancando os sons dos cânticos e modinhas populares.

Diz que gosta de “puxar” pelos sinos e transmitir estados de alma, de pô-los ao “serviço da fé” ou de, simplesmente, “animar a malta”. Servir a paróquia é um dos seus maiores gostos. “Os sinos, quando tocados à mão, falam por nós”, comenta.

Hélder está apostado em contrariar a ideia de tocar sinos à mão é “coisa de velhos”. Admite que o toque manual poderá ter os dias contados, porque “os jovens não estão virados” para esta atividade, mas mostra-se disposto a combater essa tendência. “Enquanto Deus me der força nos braços e nas pernas, podem contar comigo”, assegura. Hélder empenha-se em acrescentar novos temas ao seu reportório, até porque as solicitações são cada vez mais e, lembra, “o verdadeiro artista é o artista que consegue surpreender o seu público”.

Além de sineiro e sacristão de Arentim, é o ensaiador do grupo coral da paróquia, que acompanha ao órgão, instrumento que começou a tocar há três anos. Mas são os sinos a verdadeira paixão de Hélder Pinto, que com eles participou, há dias, no 1.º Festival de Cultura e Ambiente promovido pela União de Freguesias de Arentim e Cunha. “Eu lá no cimo da torre da igreja, sentado no meu banquinho, e o público lá em baixo, no adro, a aplaudir. Foi uma sensação assim tão, tão boa”, exclama, com simplicidade, pondo de imediato os sinos a repicar o “Hino da alegria”.