As mulheres capturadas pelo grupo terrorista Boko Haram estão a contar pela primeira vez os horrores vividos durante o tempo que foram prisioneiras na floresta de Sambisa, reduto dos guerrilheiros. Presenciaram centenas de mortes, não só nas aldeias de onde foram raptadas, mas também no acampamento dos terroristas, onde ficavam sem comer durante semanas a fio.

Uma das histórias relatadas à Reuters é a de Cecilia Abel, que viu o filho mais velho e o marido a serem mortos à sua frente, antes de a milícia a levar a ela e aos seus oito filhos para a floresta. Cecilia diz que nas últimas duas semanas não havia comida no acampamento e que, antes disso, a única fonte de alimento para as centenas de mulheres e crianças era milho seco, impróprio para consumo.

As mulheres e as crianças estavam muito fracas e algumas dezenas não sobreviveram ao percurso entre a floresta e os campos de refugiados onde agora estão a ser tratadas e a receber apoio psicológico. Outra mulher relatou ainda que quando os militares nigerianos chegaram ao acampamento, muitas mulheres começaram a gritar por ajuda e os guerrilheiros as apedrejaram antes de fugirem.

Apesar de já terem sido retiradas da floresta mais de 700 mulheres e crianças ainda nenhuma foi identificada como pertencente ao grupo de 200 raparigas que foi sequestrado na escola de Chibok e que originou o movimento mundial #BringBackOurGirls e chamou a atenção para a tragédia humanitária que estava a acontecer na Nigéria.

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