A administração Trump está a promover a nomeação do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán como próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), sucedendo ao português António Guterres. Segundo o Wall Street Journal, foi Washington que incentivou Orbán a entrar na corrida (algo que ainda não aconteceu oficialmente), e está a procurar recolher os apoios da China e da Rússia, numa altura em que a corrida à sucessão de Guterres entra numa fase decisiva.
Um funcionário do Departamento de Estado norte-americano admitiu, ao WSJ, que, à primeira vista, a ideia parece absurda, mas sublinha que a administração Trump acredita que Pequim e Moscovo a apoiem, uma expectativa baseada em conversas anteriores com Washington. O plano seria que Orbán fosse o candidato conjunto dos três países, o que reduziria a probabilidade de um veto entre os membros permanentes do Conselho de Segurança.
Para ser nomeado secretário-geral da ONU, um candidato precisa de, pelo menos, nove votos dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU e não pode enfrentar oposição de nenhum dos cinco membros permanentes — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia.
Segundo o funcionário do Departamento de Estado ouvido pelo WSJ, o ex-primeiro-ministro húngaro poderia somar de forma confortável oito votos no Conselho de Segurança, podendo atingir os 10. Neste momento, para além dos cinco membros permanentes, compõe o Conselho de Segurança ainda a República Democrática do Congo, o Bahrein, a Colômbia, a Dinamarca, a Grécia, a Letónia, a Libéria, o Paquistão, o Panamá e a Somália.
Candidatura de Orbán só deverá ser anunciada após as intercalares
É conhecido o alinhamento ideológico entre Viktor Orbán e a atual administração norte-americana. O ex-primeiro-ministro húngaro adotou uma política anti-imigração, de oposição às organizações não governamentais e ao sistema judicial da Hungria, entrando frequentemente em conflito com a União Europeia. Orbán deixou o cargo em abril, quando perdeu as eleições legislativas para o candidato da oposição, Peter Magyar (isto apesar de ter contado com o apoio de Washington).
Uma terceira fonte familiarizada com o apoio a Orbán para as Nações Unidas sublinha que o anúncio da candidatura só deverá ser feito após as eleições intercalares dos EUA, que estão marcadas para 3 de novembro. O ex-primeiro-ministro da Hungria ter-se-á mostrado recetivo à ideia de concorrer a secretário-geral da ONU mas ressalvou que só o faria se tivesse hipóteses de vencer.
Ex-Presidente do Senegal retira-se da corrida a secretário-geral da ONU
Para os EUA, os candidatos atualmente na corrida têm um perfil demasiado técnico, com experiência em “burocracia” ou “diplomacia de bastidores”, ao passo que Orbán é visto como “um general” com capacidade para exercer o poder e não se deixar intimidar perante o establishment, diz fonte do Departamento de Estado.
O Conselho de Segurança tem até ao final de dezembro para escolher o sucessor do atual secretário-geral António Guterres, antes de a Assembleia Geral das Nações Unidas confirmar a nomeação. Há, neste momento, sete candidatos. Na corrida, estão a antiga vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan (que se mantém como a principal favorita); o atual diretor da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi; a diplomata dos Emirados Árabes Unidos Lana Nusseibeh, que entrou na disputa na semana passada; a antiga ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett; a antiga ministra dos Negócios Estrangeiros do Equador, Maria Fernanda Espinosa; o antigo subsecretário-geral da ONU Olara Otunnu, do Uganda; e a diplomata equatoriana Ivonne A-Baki.
[Em dezembro de 2009, uma mulher é encontrada assassinada a tiro no estado do Rio de Janeiro. A polícia brasileira há-de confirmar que o corpo é de Rosalina Ribeiro, a herdeira de um milionário português, que tinha sido dada como desaparecida. A última pessoa conhecida a vê-la com vida tinha sido o advogado português dela, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima. Já pode ouvir, em antestreia, o primeiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]