As autoridades italianas resgataram mais de 6.700 migrantes no mar Mediterrâneo, durante o fim-de-semana. A maioria das pessoas fugia do conflito na Líbia à procura de um novo futuro na Europa, conta o Financial Times. Esta manhã, 1.300 desembarcaram em Itália, enquanto cerca de 1.500 devem chegar durante o resto do dia, anunciou a Marinha italiana.

Um primeiro grupo de 873 migrantes, entre os quais 103 mulheres e 52 crianças, chegou ao porto de Pozzallo, perto de Raguse, no extremo sul da Sicília. Os migrantes, essencialmente somalis e eritreus, serão transferidos após identificação para centros de acolhimento na península, em Roma Milão ou Nápoles, entre outros. Um segundo grupo de cerca de 400 pessoas chegou a Messine, a norte da Sicília. Além de somalis e eritreus, o grupo inclui ainda sírios.

Apesar dos esforços das autoridades europeias, pelo menos dez pessoas terão morrido.

Os números são alarmantes: só nos primeiros meses deste ano, 35 mil pessoas conseguiram chegar ao velho continente por via marítima, mas mais de 2 mil perderam a vida. Se recuarmos até 2000, temos a verdadeira dimensão da catástrofe humanitária: já morreram 22 mil pessoas no Mediterrâneo e a Organização Mundial das Migrações alertou que, se este ritmo continuar, o número de vítimas pode ultrapassar as 30 mil até dezembro.

A Frontex, a agência europeia encarregada da vigilância das fronteiras exteriores do espaço Schengen, declarou esta segunda-feira ter intensificado as suas operações no Mediterrâneo.

“Estamos a tentar aumentar o número de navios e de aviões. Pedimos e obtivemos a confirmação de países europeus, entre os quais a França, sobre o envio das suas unidades”, declarou à agência France Presse Ewa Moncure, porta-voz da Frontex, que tem sede em Varsóvia. Uma dezena de navios integra atualmente a operação Tritão no Mediterrâneo gerida pela Frontex.

Depois dos acidentes registados em abril, os líderes europeus decidiram triplicar o orçamento atribuído à Operação Tritão, de três para nove milhões. Ainda assim, escreve a Financial Times, a maioria das agências de ajuda humanitária acredita que estes valores são insuficientes.

Os próprios moldes em que está a ser organizada a operação de busca e salvamento têm sido, também eles, alvos de duras críticas. A mais comum diz respeito à alteração substancial do perímetro de atuação nos navios ao serviço da Frontex. Se antes, durante o projeto Mare Nostrum, as autoridades vasculhavam o Mediterrâneo até aos limites da fronteira com as águas líbias, agora, e segundo lembra a Financial Times, depois de o sentimento anti-imigrante ter crescido de forma significativa em muitos países europeus, os navios passaram a realizar operações de patrulha a apenas 30 milhas da costa italiana. Ao mesmo tempo que o número de travessias aumenta e, com elas, o número de vítimas também.