A Comissão Europeia está mais otimista e espera que o crescimento económico na zona euro e na União Europeia seja maior que há três meses, quando fez a última previsão. Os baixos preços do petróleo, o baixo valor do euro, estímulos do Banco Central Europeu e menos austeridade ajudam, mas são todos fatores de curto prazo.

Depois de vários anos de crise económica profunda e com a situação da Grécia a dar renovadas dores de cabeça, a União Europeia poderá beneficiar finalmente de uma conjuntura favorável que dará um impulso ao crescimento na região.

As notícias são boas, mas podem não ficar para durar. A própria Comissão diz que a economia da União Europeia e no seu bloco mais restrito de países que partilham a moeda única deverá beneficiar de fatores de curto prazo, o que leva a que as previsões sejam revistas em alta este ano, mas não para 2016.

Segundo os economistas da União Europeia, a economia da zona euro deverá crescer 1,5% este ano, mais duas décimas que o previsto em fevereiro. Para o total da União Europeia, a economia deve crescer 1,8%, mais uma décima que na anterior previsão. A expetativa mantém-se a mesma para 2016: 1,9% na zona euro e 2,1% na União Europeia.

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A queda nos preços do petróleo deu um empurrão à economia europeia mas não se espera que os preços continuem a cair, prevê-se antes a sua subida, ainda que de forma gradual. A própria depreciação do euro e a continuação dos estímulos monetários por parte do Banco Central Europeu não devem conhecer renovados esforços, como tal, a vantagem deve ficar restrita a este ano.

A conjunção de fatores positivos é naturalmente bem recebida, mas Bruxelas alerta que o legado da crise deverá permanecer durante vários anos.

Recuperação continua assimétrica

Apenas um país continuará em recessão no final deste ano, caso se concretizem as previsões de Bruxelas: Chipre, com uma recessão na ordem dos 0,5% do PIB.

Para além de Chipre, existem outros quatro países na zona euro onde a economia não crescerá nem 1%, entre eles a Itália (0,6%), a Áustria (0,8%), a Finlândia (0,3%) e a Grécia (0,5%). No caso da Grécia, a questão é mais profunda, já que das negociações com os credores para a conclusão com sucesso da última revisão do programa ainda não saiu fumo branco. A incerteza levou a Comissão Europeia a baixar a previsão de crescimento da economia grega de 2,5% para 0,5%.

Já no outro extremo está a Irlanda. Depois de crescer quase 5% em 2014, a economia irlandesa deverá crescer outros 3,6% e 3,5% em 2016. A Espanha também viu a sua previsão melhorada em meio ponto percentual, esperando-se agora que cresça 2,8% este ano e outros 2,6% em 2016.

Os dois grandes motores da economia da zona euro, Alemanha e França, são um bom exemplo desta assimetria. A Alemanha viu a projeção de crescimento da sua economia revista em alta de 1,5% para 1,9%. Já a de França melhorou apenas em uma décima, passando de 1% para 1,1%.