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Foi quase 1h30 de Passos Coelho no palco da Aula Magna, rodeado de uma onda laranja, de música, bandeiras e cachecóis, para celebrar o 41º aniversário do PSD. Num discurso com momentos dignos de stand up comedy, houve elogios às estrelas sociais-democratas sentadas na primeira fila, e a Cavaco Silva, mas principalmente muitas alfinetadas ao partido da oposição, que foi o alvo da chacota. Sobre Portas e a coligação, silêncio. Só Pinto Balsemão pisou esse terreno para lembrar que o “PSD existe por si próprio, independentemente das coligações que tenha de fazer”.

Numa cerimónia de casa totalmente cheia, pintada a laranja, com bandeiras ao alto e cachecóis ao ombro, e com direito a desfile de estrelas – Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes, Manuela Ferreira Leite e Luís Marques Mendes estiveram presentes – a Aula Magna preparou-se a rigor para fechar o ciclo de festejos dos 40 anos do PSD e para abrir a porta ao tom de festa e de comício, digno das campanhas eleitorais.

O toque teatral e a música não faltaram. Dois apresentadores vestidos de gala e três cantores a entoar os vários hinos sociais-democratas juntaram-se ao número de Passos Coelho, que entreteve a plateia durante quase uma hora e meia. Primeiro, com elogios: a Durão Barroso, “pelo orgulho com que presidiu a Comissão Europeia e pela liderança política que assumiu durante os tempos mais conturbados por que a União Europeia passou desde a sua fundação”, a Assunção Esteves, “pelo orgulho com que tem conduzido a casa da democracia nestes quatro anos conturbados”, e também ao “militante anónimo”, que “veio de longe” e que “teve de sofrer pelo seu país mantendo a confiança e esperança no futuro”.

A Cavaco Silva ficou reservado o elogio final, “pela forma exemplar com que exerceu o seu mandato” e pela imparcialidade com que o fez. “Sei que se o Governo não fosse PSD, Cavaco Silva teria agido exatamente da mesma forma”.

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Depois, com uma boa dose de stand up comedy. O alvo? Só um, o Partido Socialista. Durante largos minutos, Passos Coelho animou a plateia laranja com críticas, em tom de troça, ao PS e ao seu recente programa económico, acusando os socialistas de “terem usado todos os economistas que tinham disponíveis para fazerem um documento” que, ainda por cima, “prevê um cenário mais optimista do que o do Governo”. “Dizem que quererem remover a austeridade em alta velocidade e ao mesmo tempo querem cumprir as regras do tratado orçamental e da Comissão Europeia. E dizem isto sem se rirem…!”, ironizou Passos, arrancando aplausos e gargalhadas da Aula Magna.

“É claro que nós também queríamos remover a austeridade mais depressa, de preferência antes das eleições, não somos masoquistas, mas fizemos bem as contas para podermos dizer que vamos cumprir as metas e sair pela primeira vez dos défices excessivos”, disse Passos, acrescentando que o os socialistas, com o seu programa económico, “conseguem dizer, de forma muito simples, aquilo que já suspeitávamos:

“Dizem o que não vão fazer. Não vão respeitar as regras nem os compromissos, nem os objetivos que estão em vigor em nome de Portugal na UE, porque não é possível fazê-lo”.

Durão Barroso, o convidado de honra que tinha estado 10 anos longe da “família” social-democrata, como lhe chamou à entrada, não falou no palco, mas acenou e distribuiu cumprimentos por toda a sala. Sentado ao lado da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, partilhou a primeira fila com dois dos presumíveis candidatos presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes, que passaram pelos festejos de forma discreta.

Só faltou Rui Rio, outro dos nomes mais falados para a corrida a Belém, que não marcou presença na cerimónia, mas que não foi esquecido no ecrã gigante onde foi exibido um filme sobre a história do partido nos seus 41 anos de existência.

O primeiro a inaugurar o palco, no entanto, foi Francisco Pinto Balsemão. Fundador, número um do partido, e presidente da comissão coordenadora das celebrações do aniversário, Balsemão desdobrou-se em elogios ao partido, assim como ao líder, e brindou os militantes e dirigentes presentes na plateia superlotada da Aula Magna com uma notícia – mais de 5 mil pessoas tornaram-se militantes do PSD no último ano – e com uma bicada ao CDS, parceiro de coligação do atual Governo: “O PSD existe por si próprio, independentemente das coligações que, em cada momento histórico, tenha de fazer”.

O histórico social-democrata, que abriu as hostes na Aula Magna, aproveitou a boleia da ocasião para anunciar – e entregar a Pedro Passos Coelho – um documento onde propõe 12 desafios para o futuro: a reforma do sistema político e do Estado, a reforma da Segurança Social, a redução da despesa para baixar impostos, o reforço da competitividade económica até as exportações ascenderem a 50% do PIB, o combate da desertificação, a promoção da natalidade, o reforço da coesão social, a aposta na inovação empresarial, na economia verde e no crescimento azul, e o exercício de uma clara opção europeia. Tudo em nome da “social democracia do século XXI”.