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Um dos objetivos da candidatura presidencial de Henrique Neto é combater “os interesses instalados” e contribuir para dar à Justiça “mais recursos e mais meios porque há áreas do Estado “onde o dinheiro não pode ser curto” e o que se está a passar “é desastroso e trágico”.

Num encontro com jornalistas esta segunda-feira, Henrique Neto deu como exemplo de interesses instalados as PPP’s, “as mil fichas para 300 carros elétricos” e “as auto-estradas onde não passam carros”. “As empresas queriam ter encomendas. Foi também o que se passou com os [computadores portáteis] Magalhães”, explicou, referindo-se a medida dos anteriores Governos de José Sócrates.

Numa altura em que “os portugueses estão muito desiludidos, perturbados e medrosos”, o ex-deputado do PS – ressalvando que “a última coisa” que deseja é “ser força de bloqueio” – declarou que não se coibirá, se for eleito, de criticar “projetos nacionais contraditórios” como o novo porto do Barreiro. “Vão ter que me ouvir”, prometeu.

Questionado sobre qual é a diferença entre esta candidatura e a de António Sampaio da Nóvoa, Henrique Neto foi categórico respondendo na mesma linha do que fizera em recente entrevista ao Observador: “Eu sei do que é que falo”. Nessa entrevista, publicada no último sábado, declarara que o ex-reitor da Universidade de Lisboa é um “lírico” e que o país precisa de “ação”.

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“Não há mudança efetiva para melhor em nenhuma das candidaturas. Não há energia para a mudança e refletem a ideologia dominante no país”, insistiu o empresário e militante do PS que concorre sem o apoio deste partido, com quem já esteve reunido. Partilham da necessidade em avançar com uma reforma do sistema político, nomeadamente, com a criação de círculos uninominais para a Assembleia da República.

Sobre Cavaco Silva, declarou que não sabe como é que o atual Presidente da República “vai resolver o facto de ter dito que não dá posse a um Governo minoritário”. “Então ficamos sem governo e sem orçamento? Uma maioria absoluta não depende do Presidente”, disse.