Se a Grécia deixar o euro o “mundo vai parecer diferente na Europa”, defendeu o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel. Em entrevista ao jornal Bild am Sonntag, e citada pela Bloomberg, o também líder do partido social democrata considera que uma eventual saída grega da moeda única seria “muito perigoso a nível político, e não económico”.

“Ninguém iria confiar mais na Europa se na primeira grande crise”, um membro da união económica e monetária abandonasse o euro. O responsável que lidera também a pasta da economia no executivo de Angela Merkel considera que um referendo sobre as reformas na Grécia poderia acelerar o processo de decisão no sentido do acordo. “Um terceiro pacote de ajuda a Atenas só será possível se as reformas forem implementadas”, adiantou ainda Gabriel, repetindo um discurso que tem sido uma constante nos responsáveis da zona euro.

Também este domingo, o membro executivo do Banco Central Europeu, Yves Mersch, insistiu que não se pode pedir dinheiro sem cumprir o que foi prometido. Em declarações à rádio 100.7 do Luxemburgo, Mersh lembra que a “Europa é uma união de países que está preparada para mostrar solidariedade aos seus membros, desde que todos cumpram os seus compromissos. A Grécia assumiu um compromisso e tem de o manter. Esta é a situação no momento”.

Refere que há muitos temas em discussão entre Atenas e a zona euro e que não basta ceder num dos pontos. E dá o exemplo: o governo de Tsipras está pronto para a adaptar o IVA ou simplificar as taxas, como exigem os credores institucionais, mas há outras áreas onde não foram feitos quaisquer progressos. E que áreas são essas? O sistema de pensões e a legislação laboral.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Neste momento vemos que o governo está a dar emprego às pessoas, aplicando uma lei que não pode pagar. Mas depois diz que são os contribuintes dos outros países que devem pagar. Pode imaginar que na Europa há outros países, mais pobres, que não pensam ter um mandato democráticos dos seus eleitores para fazer o mesmo”.

O membro do BCE assinala ainda que desde o governo liderado pelo Syrisa tomou posse, há cerca de 100 dias, já “conseguiu interromper a retoma económica na Grécia e transformar o excedente orçamental em défice outra vez”.

Atenas tem resistido a fazer reformas que impliquem cortes nos salários e nas pensões. Ainda esta sexta-feira, o primeiro-ministro Alexis Tsipras garantiu ao seu eleitorado que não iria ultrapassar as “linhas vermelhas” nestas duas matérias.

Um porta-voz parlamentar do Syrisa, citada pela Bloomberg, adianta que o país irá voltar a tentar alcançar “um acordo mutuamente benéfico” com os credores no dia 22 (reunião de líderes da União Europeia em Riga). Depois de reafirmar a rejeição a um ultimato por parte dos credores internacionais do tipo “take it or leave it” (é pegar ou largar), Nikos Filis acabou por admitir que a questão do referendo às reformas dependerá da existência desse ultimato.