O ex-dirigente socialista da direção de António José Seguro foi à Comissão Nacional do partido defender que o programa eleitoral ficasse em aberto até setembro, altura em que deveria ser submetido a uma espécie de primárias. Além disso, Álvaro Beleza defendeu que, tal como para as obras públicas, deveria ser alargada a imposição de votação por dois terços de deputados a outras áreas como a justiça ou as privatizações. Antes de ouvir os comissários, António Costa estabeleceu um calendário diferente: pediu para que as críticas ao programa fossem feitas neste domingo.

Até ao início da manhã, além das duas intervenções do sindicalista José Abraão e da presidente da associação de reformados (APRE) Rosário Gama, só a do ex-dirigente do partido, Álvaro Beleza saiu do tom. Beleza defendeu que o partido deveria “manter o debate público até setembro”, altura em que seria marcada uma convenção nacional com a presença dos candidatos do partido, de modo a marcar a diferença para o Governo.

“Eles são arrogantes, nós damos abertura”, contou Beleza aos jornalistas sobre a sua intervenção no interior da reunião. Para o socialista, seria uma maneira de o PS se manter na agenda pública e mediática e com isso também marcar diferença para a coligação PSD/CDS.

Mas o calendário de António Costa é, para já, diferente. Perante os comissários e eleitos – esta é uma Comissão Nacional alargada — o líder do partido pediu para que todas as críticas fossem feitas neste domingo, de modo a que o programa eleitoral fique fechado no dia 6 de junho. Contudo, estava prevista a realização de um referendo online às principais medidas que levantassem dúvidas e João Tiago Silveira, presidente do gabinete de estudos do partido, garantiu na semana passada que até ao dia 29 deste mês, o projeto de programa ficaria aberto a militantes e simpatizantes. Beleza quer no entanto alargar esse prazo, não vendo benefícios em fechar o programa tão cedo.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Costa “prudente” a responder aos críticos da TSU

Na Comissão Nacional, que decorre num hotel em Lisboa, as principais críticas e dúvidas ao projeto de programa apresentado pelo PS surgiram do sindicalista José Abraão e da líder da associação de reformados (APRE), Rosário Gama, que querem ver esclarecidos dois pontos: que a baixa da TSU não põe em causa a sustentabilidade da Segurança Social nem afeta as pensões futuras.

Para o socialista Álvaro Beleza, que também levantou dúvidas sobre algumas medidas, António Costa foi “prudente” ao falar destas medidas que levantariam mais polémica, e garantiu que esta nunca poria em causa a sustentabilidade da Segurança Social. Para isso, Costa terá assegurado que, se fosse necessária alguma compensação, essa seria feita via Orçamento do Estado. “Inspirou-se em Karl Popper e na ideia de que se não dá, recua-se”, sintetizou.

Na intervenção inicial, António Costa prometeu que a descida da TSU para empregadores e trabalhadores seria “gradual” e feita com “prudência”, tendo em conta a consolidação das fontes de financiamento da Segurança Social. Esta foi aliás uma alteração entre o projeto de programa e o cenário macroeconómico, que António Costa justificou em entrevista ao Observador.

Grande consenso para a justiça e privatizações

O dirigente do partido, Álvaro Beleza, defendeu ainda que o consenso que António Costa quer para o plano de obras públicas 2020-2027 deveria ser alargado a outras áreas que tivessem impacto sobre as gerações futuras, nomeadamente à justiça e às privatizações.

O projeto de programa do PS prevê que o plano de grandes obras públicas seja aprovado por dois terços dos deputados e que seja constituído um Conselho Superior de Obras Públicas.