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Lisboa

Dos caça pechinchas aos caça autógrafos. Um guia para os diferentes públicos da Feira do Livro

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Este ano, a Feira quer receber mais de meio milhão de visitantes. Os livros são os protagonistas, mas há quem vá à feira por diferentes motivos. O Observador dá sugestões para cada tipo de público.

Andreia Reisinho Costa

Autores
  • Sara Otto Coelho
  • Andreia Reisinho Costa

A 85.ª Feira do Livro de Lisboa arranca esta quinta-feira à tarde com um número recorde de pavilhões, 271, e o objetivo de ultrapassar os mais de 500 mil visitantes que no ano passado estiveram no Parque Eduardo VII. Para além das vendas de livros, a Feira tem muito mais para oferecer. Até porque, entre o meio milhão de pessoas esperadas, há de tudo: literatos e leitores de ocasião, colecionadores de livros e colecionadores de autógrafos, caçadores de pechinchas ou, simplesmente, famílias em modo passeio.

O Observador olhou para o programa deste ano e dá dicas personalizadas para cada um destes públicos. Para que todos encontrem, com mais facilidade, a “sua” Feira.

Livro-saldos

Há quem diga que a Feira do Livro não é amiga das carteiras. Sabendo onde e como procurar, podemos atestar que não é bem assim. Se não resiste a uma boa promoção, deve reservar as noites de segunda a quinta-feira. É aí que, durante uma hora, entre as 22h00 e as 23h00, tem lugar a “Hora H”, onde várias editoras colocam alguns livros com 50% de desconto. A lista costuma estar disponível previamente no site da Feira, mas até ao momento ainda não existe informação.

O que já se pode consultar na página oficial do evento são os livros do dia, ou seja, os títulos que as editoras têm à venda com preço reduzido. Há descontos até 50%, como é o caso de Barroco Tropical, de José Eduardo Agualusa, uma das muitas obras em destaque no primeiro dia.

Cada editora tem de cumprir a lei do preço fixo. Mas, independentemente das iniciativas próprias da feira, os stands podem promover outro tipo de campanhas. O Grupo Leya, por exemplo, traz de volta a “LeYa 4 Pague 3”, ou seja, na compra de quatro livros, o livro de menor valor é gratuito. No âmbito dos 50 anos das Publicações Dom Quixote, haverá também uma seleção de 50 livros com 50% de desconto.

Às vezes, no último dia da Feira, há surpresas de última hora. Já houve grandes editoras a colocar os livros todos a metade do preço. Pode sempre fazer uma última visita ao evento, desde que consciente da possibilidade de não haver qualquer promoção extra.

Os alfarrabistas dão as boas-vindas a quem entra pelo Marquês de Pombal e começa pelo lado direito do recinto. Lá, vale a pena visitar a Livraria Letra Livre, por exemplo, com o bónus de ter produção própria. Na Frenesi também estará rodeado de um catálogo feito por quem é amante de livros e que percebe da poda. Se procura livros mais em conta, a Arquimedes merece uma visita.

Livro-criancas

Para além dos muitos e bons livros infantis que se podem encontrar na Feira (já para não falar da nova moda dos livros de colorir para as famílias), e dos espetáculos criados para animar os mais novos, este ano há uma novidade imperdível: a Feira do Livro convida cerca de 120 crianças a acamparem no recinto e a passarem uma noite única no recinto, rodeadas de livros e de histórias.

A iniciativa chama-se “Noites Happy Readers: Acampar com Histórias” e acontece nos dias 29 e 30 de maio, 5, 6, 12 e 13 de junho. Os mais novos vão poder conhecer a Feira do Livro de Lisboa e a Estufa Fria de uma forma original logo a partir das 18h30. Após o jantar, é altura de conhecerem fazedores de livros, ilustradores e contadores de histórias, num programa surpresa que será diferente a cada noite. A última aventura fica reservada para antes da hora de deitar. “Em Busca do Papiro” é um peddy paper pela Estufa Fria de Lisboa que vai permitir às crianças aprender sobre as muitas plantas que habitam o espaço. A hora do sono não chega sem se ouvir uma “História de Encantar” e pela manhã, depois do pequeno-almoço, há que preencher um diário gráfico da experiência até à despedida, marcada para as 10h45.

Livro-gulosos

E porque a comida nunca esteve tão na moda, uma das principais novidades deste ano é o palco “Show Cooking”, localizado na entrada da Feira do Livro junto ao Marquês de Pombal. Lá vão estar em destaque as apresentações de livros de gastronomia e culinária.

Mas também é possível comer bem, até porque a oferta gastronómica da Feira do Livro tem melhorado a olhos vistos. Se entre as subidas e descidas no Parque a fome apertar, terá à escolha mais de 30 espaços e carrinhas, entre os quais os burritos do Walkamole, os petiscos do Comida de Rua, o Cachorro Vadio, a Pizzaria do Bairro, o Skinny Bagel e as Farturas à Otário. Quem trocar a praia pela Feira será recompensado com as famosas bolas de berlim do Bolas de Praia.

Livro-autografos

Um evento dedicado aos livros não se faz sem aqueles que o escrevem. E são muitos os escritores que escolhem a Feira do Livro para apresentarem a sua mais recente obra, nomeadamente aos fins de semana. No sábado, 30 de maio, às 16h00, Ricardo Araújo Pereira, Carlos Vaz Marques e Pedro Mexia vão estar no espaço da editora Tinta-da-China a assinar livros e a conversar com o público.

Pelo espaço da Porto Editora vão passar muitos e bons autores, casos de Gonçalo M. Tavares (5 de junho, 17h30), José Rentes de Carvalho (6 e 7 de junho, 16h00), Francisco José Viegas (6 de junho, 16h00) e José Eduardo Agualusa (7 e 13 de junho, 16h00), escritor angolano que acaba de lançar O Livro dos Camaleões.

A 7 de junho, a cantora Rita Redshoes, que acaba de lançar o livro Sonhos de uma Rapariga Quase Normal, vai estar presente no espaço da editora Guerra e Paz, às 16h00. Já no dia 31 de maio, à mesma hora e no mesmo espaço, será possível obter um autógrafo de José Jorge Letria.

Na praça da Leya também vão estar muitos e bons autores, entre os quais António Lobo Antunes, Inês Pedrosa, Ana Maria Magalhães e Alice Vieira (6 de junho, entre as 15h00 e as 19h00).

Pelo expositor da Esfera dos Livros vão passar muitos e variados rostos, todos bem conhecidos do público. Se sempre quis uma palavra e um autógrafo do ex-autarca da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, ele vai estar à sua espera no dia 6 de junho, às 18h00, para promover o livro autobiográfico A Minha Prisão. Gustavo Santos, apresentador do programa da SIC Mulher “Querido Mudei a Casa”, vai apresentar A Força das Palavras, Arrisca-te a Viver e Agarra o Agora já a 31 de maio, às 18h00.

E porque a série “Diário de um Banana” é um sucesso entre a pequenada, a sessão de autógrafos com Greg, a personagem da história, marcada para sábado, 30 de maio, às 12h00, na 20|20 Editora, promete ser concorrida. Ainda para os mais novos, no dia seguinte, às 15h30, Ana Garcia Martins, mais conhecida por “A Pipoca Mais Doce”, vai estar na tenda da Porto Editora numa sessão para crianças. E, claro, Robert Muchamore, autor da série Cherub, vai estar presente no recinto a 31 de maio e 1 de junho, às 15h00. A não perder é a apresentação do mais recente livro de Catarina Sobral, A Sereia e os Gigantes, no dia 13 de junho, às 16h00, no espaço da Orfeu Negro / Pato Lógico.

Livro-multidoes

Há dois pontos críticos onde as pessoas se aglomeram. Um deles é o do Grupo Porto Editora, que por reunir várias editoras se transformou num megaespaço que atrai muitos leitores. O outro é, claro, o Grupo Leya. Para conseguir ver com calma os livros ali reunidos, o melhor é evitar os fins de semana, quando a multidão se multiplica. Ir nos primeiros dias também só é boa ideia se não se importa de levar alguns encontrões e esperar que aquelas três ou quatro pessoas que estão plantadas em frente à estante decidam seguir caminho.

Livro-debates

Outra das novidades da 85.ª Feira do Livro de Lisboa é o I Encontro Literário “Nós e os Livros”, que num “ambiente informal e descontraído”, promete a organização, reúne adeptos da literatura para uma conversa em torno dos livros. A 10 de junho, a partir das 15h00, terão lugar os painéis “Novos trends da literatura – do new adult às adaptações”, “Literatura fantástica – o que se lê em Portugal? Géneros, subgéneros e públicos-alvo”, “Literatura policial/thriller – clássicos ou contemporâneos?” e “Literatura erótica e romântica – géneros, subgéneros e trends atuais”.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos vai promover, no seu espaço, um ciclo de 11 debates distintos, todos relacionados com a sociedade portuguesa. Um deles, a 7 de junho, às 15h00, vai reunir o pediatra Mário Cordeiro e o jornalista João Miguel Tavares, autor do blogue “Pais de Quatro”, para debaterem se as nossas crianças são cada vez menos e cada vez melhores. O debate vai ser moderado por António Araújo.

A título individual, as editoras também vão organizar conversas. A 20|20 Editora, que acaba de lançar a chancela Elsinore, vai possibilitar ao público a participação em debates sobre temas atuais, do Papa Francisco ao bullying. Um deles está marcado para o dia 5 de junho, às 19h30, e versa sobre o autoproclamado Estado Islâmico. À conversa estarão o jornalista americano J.M. Berger, José Anes, ex-presidente do Observatório de Terrorismo e Segurança, e ainda Nuno Tiago Pinto, jornalista da revista Sábado e autor do livro Os Combatentes Portugueses do Estado Islâmico.

Livro-passear

Mesmo sem levar a carteira com orçamento para livros, a Feira é um bom programa de passeio. Há comes e bebes, há natureza, há a vista para o rio que o Parque Eduardo VII proporciona, há espetáculos a acontecer em vários momentos do dia, há novidades literárias e livros para folhear. É possível que fique com vontade de comprar vários títulos. Podendo, é deixar-se cair nesta tentação saudável.

A 85.ª Feira do Livro está aberta de segunda a quinta-feira das 12h30 às 23h, sexta-feira e vésperas de feriado das 12h30 às 24h, sábado das 11h às 24h e domingo e feriado das 11h às 23h.

Texto: Sara Otto Coelho.
Grafismo: Andreia Reisinho Costa

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