A banca europeia têm um longo caminho a percorrer até regressar aos níveis de rentabilidade anteriores à crise, defende a consultora A.T. Kearney no seu estudo anual Retail Banking Radar, relativo a 2014. Essa é uma preocupação especial para os bancos portugueses, que segundo a consultora foram os únicos na Europa em que a rentabilidade continuou negativa em 2014. Para os bancos nacionais e para os outros, de um modo geral, “o principal desafio para a banca de retalho europeia passa por transformar o tradicional modelo de negócio e operacional, adequando-o à nova era digital“.

O estudo, que analisou mais de 100 bancos em 24 países europeus, nota que os bancos estão a ter de colocar menos dinheiro de parte (como provisões), um resultado das recuperação das taxas de crescimento, e que isso tem permitido “algumas melhorias” na rentabilidade. Mas os bancos continuam a “demonstrar uma grande dificuldade em aumentar e diversificar a sua base de receitas e a apresentar um progresso limitado ao nível da eficiência de custos após os inúmeros esforços de reestruturação empreendidos”.

Para acelerar este processo de recuperação da rentabilidade dos bancos, crucial para a concessão de financiamento e para o crescimento económico, estes terão, “para fazer face às tendências futuras que afetarão o setor e alcançar níveis de rentabilidade adequados, será incontornável uma transformação estrutural no modelo da banca tradicional”.

Além de desafios no campo das receitas, os bancos terão de trabalhar mais na redução de custos, como alertou ainda ontem o Banco de Portugal. “Em muitos casos, o redimensionamento das redes de agências e os cortes nas estruturas de pessoal não resultaram necessariamente em maior eficiência. Portugal, por exemplo, foi dos países da Europa que maior percentagem de agências encerrou e mais pessoal reduziu nos últimos anos, e ainda assim apresenta o nível de cost to income mais elevado da Europa”, notou Pedro Castro, diretor da consultora, que participou na elaboração do estudo.

Os bancos terão, na perspetiva da A.T. Kearney, uma consultora fundada em Chicago, nos EUA, que adequar o modelo bancário tradicional à era digital. “O futuro digital da banca de retalho será radicalmente diferente daquilo que é hoje, com a simplicidade, a velocidade e a segurança a emergirem como fatores cruciais para atrair e reter clientes”, nota a consultora.

Outra forma de recuperar a rentabilidade será a via das fusões e aquisições, algo a que vários presidentes de bancos nacionais se têm referido como uma tendência incontornável na Europa. O estudo, na sua versão original em inglês, pode ser acedido neste link (Time to Reinvent Your Banking Model).

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