“Os trabalhadores do então BES, agora Novo Banco, foram as principais vítimas da derrocada da empresa onde trabalhavam”, defende a Comissão de Trabalhadores em comunicado emitido esta quinta-feira. A organização de funcionários diz, assim, que “não entende e não aceita que os maiores lesados – os trabalhadores – sejam vítimas da coação moral e física dos membros da Associação que diz representar os lesados“.

Em comunicado aprovado esta quinta-feira pela Comissão de Trabalhadores, cujo novo presidente é Carlos Gonçalves, o organismo lamenta que, apesar de “num país livre, manifestações, no respeito da lei, são um direito”, está a constatar-se que, “num estranho movimento, os manifestantes têm-se deslocado para as instalações e para junto dos trabalhadores do Novo Banco, ficando os verdadeiros responsáveis incólumes a estes protestos”.

“Os trabalhadores do Novo Banco pautam a sua intervenção pelas necessidades de seus clientes, por um elevado profissionalismo e por princípios de boa-fé”, defende a Comissão de Trabalhadores. Além disso, diz o organismo, “os trabalhadores do então BES, agora Novo Banco, foram as principais vítimas da derrocada da empresa onde trabalhavam. Empresa que amavam, a que se dedicaram com convicção”.

Também eles, salienta a Comissão de Trabalhadores, eram acionistas do BES e também eles aplicaram “poupanças de uma vida de trabalho” não apenas em “ações do BES mas, também, em papel comercial de empresas do então GES”.

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Repudiamos aqueles que de vítimas que fomos, nos querem transformar em algozes“, remata a Comissão de Trabalhadores.

O Novo Banco emitiu no início de maio um comunicado que notava que, como banco de transição, a instituição não tem autonomia nem é sua a responsabilidade do reembolso aos clientes do papel comercial do BES. Ao mesmo tempo, ameaçou com processos em tribunal as associações e os indivíduos que têm invadido agências e também os que coloquem em causa a reputação do banco e dos trabalhadores.

“Os termos da medida de resolução são claros no que diz respeito à inexistência de uma responsabilidade do Novo Banco quanto ao reembolso dos referidos instrumentos de dívida. Isto mesmo tem sido repetidamente afirmado, de uma forma inequívoca, pelo Banco de Portugal, enquanto Autoridade de Resolução”, afirmou nessa altura o banco liderado por Eduardo Stock da Cunha.