Lançaram uma imobiliária no Facebook, em 2011, e durante dois anos e meio esta foi a única montra das casas que tinham para arrendar. Magda Tilli, que fundou a marca com o marido, conta que a página da HomeLovers foi circulando de amigo para amigo e que nunca fez publicidade. Hoje, tem mais de 270 mil fãs, emprega 38 pessoas, abriu mais duas páginas e foi considerada pelo Facebook como um case study (caso de estudo).

A “história de sucesso” da Home Lovers já tem casa própria na página que Mark Zuckerberg criou para dar a conhecer isso mesmo: negócios que são exemplos de sucesso.  As três páginas que a marca detém na rede social – HomeLovers, HomeLovers Cascais e e HomeLovers Porto têm cerca de sete milhões de visualizações, por mês, de acordo com o Facebook. E cerca de 90% dos negócios chegam através da rede social.

Magda e Miguel Tilli lançaram a HomeLovers em novembro de 2011, depois de seis meses a trabalharem num franchising de uma imobiliária que ambos decidiram abrir. A crise ditou a sentença. Meio ano depois de terem aberto portas, tiveram de as fechar, e viram no Facebook uma forma de não dizerem “adeus” ao negócio. Tinham escritório no Estoril e a maior parte das casas estavam para venda.

“O mercado estava em grande transformação e vimos que se calhar valia a pena tentar evangelizar os proprietários para o arrendamento”, contou Magda ao Observador.

Magda Tilli ficou em casa a tratar da página e o marido foi para a rua ver casas, tirar fotografias, fazer negócio – todos aqueles que vim as casas no Facebook e queriam conhecê-las. O interesse começou a chegar a partir dos comentários que as pessoas deixavam nos álbuns das casas, por mensagem privada ou por email. Hoje, não só arrendam casas, como também vendem. Das 400 que têm disponíveis, 210 estão para venda e 190 para arrendamento.

O próximo passo é exportar o conceito, com Espanha e França na mira dos principais mercados, mas ainda não há decisão sobre o modelo de negócio escolhido. Contudo, é um objetivo para ser cumprido até ao final deste ano. Do total de vendas realizadas, 35% são a estrangeiros, sobretudo franceses, mas também pessoas vindas do Brasil, EUA, ou do norte da Europa.

“Vêm para Lisboa pelo nível de vida e porque são completamente fascinados pela luz de Lisboa”, diz Magda Tilli ao Observador.

E à medida que crescem as casas, as pessoas e as páginas, também cresce a faturação: se em 2013, a HomeLovers faturou 100 mil euros, no ano seguinte faturou mais 400 mil euros e de janeiro a maio de 2015 faturou 750 mil euros. E apesar de ter nascido para arrendamento, a HomeLovers já “quase” que vende mais casas do que aquelas que arrenda.

“As pessoas começaram a vir dizer-nos: ‘quero comprar um casa, mas quero uma casa HomeLovers. Conseguem?’ e de repente começámos também a vender”, conta.

Uma casa “HomeLovers” pode ir dos 500 euros aos 12 milhões de euros. A notícia de que seriam uma das empresas na página de casos de sucesso do Facebook partiu da delegação ibérica da rede social.  E não são a única empresa portuguesa que a rede já utilizou como caso de estudo. A marca de toalhas de praia Vertty é outro exemplo, pela estratégia de internacionalização. Em 10 meses, chegaram a 40 países e 10% da receita gerada pela marca vem da rede social.

“Isto veio trazer-nos mais visibilidade e credibilidade. Nós começámos numa altura em que o Facebook não era considerado uma coisa credível. Há três anos e meio, a faixa etária era muito mais nova. Quando dizíamos que trabalhávamos só no Facebook, eles pensavam ‘mas quem são estes?’. Mas hoje o Facebook já é uma coisa que tem muita credibilidade para negócios”, diz Magda Tilli.