O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, recordou esta quarta-feira na Roménia, país que atravessa uma crise política, que existem indicações a nível europeu para os Estados desenvolverem esforços para combater a corrupção, envolvendo em particular agentes políticos.

No primeiro ponto da agenda do programa da visita de Estado de Cavaco Silva à Roménia, o caso das investigações ao primeiro-ministro social-democrata, Victor Ponta, por cumplicidade de evasão fiscal e branqueamento de capitais na época em que era advogado, entre 2007 e 2011, não deixou de estar presente na conferência de imprensa conjunta dos Presidentes português e romeno, com os jornalistas a centrarem as questões à volta do tema.

Cavaco Silva e Klaus Werner Iohannis nunca responderam diretamente, mas o Presidente português acabou por abordar a questão da corrupção, lembrando que essa é uma “preocupação europeia” e que recentemente surgiram indicações a nível europeu “no sentido de em todos os Estados serem feitos esforços para combater a corrupção envolvendo em particular agentes políticos”.

“Essas indicações emanadas da União Europeia são para todos os 28 países e não para nenhum país em particular”, vincou.

Escusando-se a comentar o caso particular de Victor Ponta, que estará na Turquia para ser operado a um joelho, depois de no fim-de-semana se ter deslocado a Baku, no Azerbaijão, para assistir à abertura dos Jogos Olímpicos Europeus, Cavaco Silva lembrou a regra de que um chefe de Estado não comenta os problemas políticos interno dos países que visita.

“As instituições democráticas da Roménia estão a funcionar, a funcionar plenamente e nenhuma perturbação atinge a minha visita de Estado à Roménia”, acrescentou.

O programa da visita de Estado de Cavaco Silva teve, contudo, um ‘ajuste’, já que para quinta-feira estava agendado um encontro com Vitor Ponta. Fonte da Presidência da República revelou, entretanto, aos jornalistas que integram a comitiva de Cavaco Silva que no encontro estará antes presente o vice-primeiro-ministro e ministro da Administração Interna, Gabriel Oprea.

Há duas semanas, o Ministério Público anticorrupção publicou as suas acusações contra o primeiro-ministro social-democrata que está a ser investigado por cumplicidade de evasão fiscal e branqueamento de capitais na época em que era advogado, entre 2007 e 2011.

Apesar do chefe de Estado conservador, rival de Ponta, e uma parte da oposição terem na altura exigido a demissão do primeiro-ministro, ainda antes de se deslocar para a Turquia Victor Ponta afirmou estar inocente e ser vítima de uma “tentativa de golpe de Estado” orquestrada pela oposição, com a cumplicidade da justiça.

Tal como Cavaco Silva, o Presidente romeno recusou falar do caso que envolve Victor Ponta, admitindo apenas que, devido ao facto de estar apenas desde dezembro de 2014 na chefia do Estado, é necessário haver uma “harmonização” com o primeiro-ministro relativamente à política externa.

Contudo, acrescentou, a Roménia sabe quem são os seus “amigos” e “não existe nenhum perigo” sobre a forma como “os amigos e parceiros serão tratados”.

Na declaração inicial dos dois Presidentes, ambos sublinharam a intenção de reforçar as relações entre Portugal e a Roménia, bem como a boa integração da comunidade de mais de 40 mil romenos que vive em Portugal.