A Polícia Judiciária, em articulação com o DCIAP e a Autoridade Tributária e Aduaneira, está a realizar esta manhã buscas à família Espírito Santo e a altos quadros do BES, avançou esta manhã o Correio da Manhã. A operação, confirmou o Observador, está a decorrer em vários pontos do país e inclui buscas a casas, escritórios e outros bens patrimoniais ligados à família de Ricardo Salgado como o recheio dos imóveis, carros, barcos, dinheiro, ouro e joias.

Em causa está nomeadamente o arresto de bens nas casas de Ricardo Salgado no Estoril e na Comporta com o intuito de prevenir o pagamento de dívidas ligadas a empresas do Grupo Espírito Santo.

“Confirma-se a realização de diligências no âmbito das investigações relacionadas com o denominado Universo Espírito Santo. Essas diligências incluem cinco buscas, bem com a concretização de arresto de bens”, confirmou fonte da Procuradoria-Geral da República ao Observador.

A operação visa a apreensão de documentos úteis ao processo, em que são investigados crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais, assim como o arresto de bens. Além da família, as buscas estão a ser feitas igualmente nas propriedades de ex-administradores do BES como Amílcar Morais Pires e José Manuel Espírito Santo.

As buscas decorrem também na antiga sede do BES, onde a PJ ainda procura documentos. A operação está a ser conduzida pela Unidade de Combate à Corrupção da PJ, em articulação com o Departamento Central de Investigação e Ação Penal e com a Autoridade Tributária e Aduaneira.

Esta não é, no entanto, a primeira vez que as autoridades judiciais fazem buscas a propriedades do universo Espírito Santo. Antes, por ordem do juiz Carlos Alexandre, já tinham sido confiscados prédios de luxo em Lisboa e no Algarve, assim como a casa e a capela de Ricardo Salgado em Cascais, ou a herdade da família na Comporta.

Em maio, a Procuradoria-Geral da República esclareceu, em comunicado, que o arresto de bens a pessoas ligadas ao universo Espírito Santo visa impedir “uma eventual dissipação de bens”, que ponha em causa pagamentos em caso de condenação. O Ministério Público promoveu “o arresto preventivo de bens imóveis e valores patrimoniais de outra natureza titulados por pessoas singulares e coletivas relacionadas com o denominado Universo Espírito Santo”, explicitava-se em comunicado.

E justificava-se depois a medida como “uma garantia patrimonial que visa impedir uma eventual dissipação de bens que ponha em causa, em caso de condenação, o pagamento de quaisquer quantias associadas à prática do crime, nomeadamente a indemnização de lesados ou a perda a favor do Estado das vantagens obtidas com a atividade criminosa”.

Na altura, o MP indicou que corriam 29 inquéritos, entre processos principais e apensos relacionados com o Grupo Espírito Santo.