Os russos começaram esta sexta-feira a votar numas eleições legislativas dominadas pela guerra na Ucrânia e em que o partido Rússia Unida, apoiante do Presidente Vladimir Putin, procura conservar a maioria constitucional perante uma oposição limitada pelas autoridades.

A votação decorre durante três dias, até domingo, para escolher os 450 deputados da Duma (o parlamento russo): metade será eleita através de listas partidárias nacionais, enquanto os restantes 225 resultarão de círculos uninominais, nos quais vence o candidato mais votado.

Na manhã desta sexta-feira, as assembleias de voto na cidade de Sochi tiveram de ser temporariamente encerradas na sequência de um alerta de ataque de drones ucranianos.

O Rússia Unida parte como favorito num sistema político fortemente controlado pelo Kremlin e no qual as restantes quatro forças atualmente representadas na Duma (Partido Comunista, Partido Liberal-Democrático, Rússia Justa e Novo Povo) têm apoiado, no essencial, as principais decisões do poder e a guerra na Ucrânia.

O único partido que quebra o consenso sobre o conflito é o Yabloko, mas o Supremo Tribunal russo excluiu a lista nacional de candidatos deste partido das eleições, deixando apenas alguns dos seus candidatos a disputar círculos uninominais — dos quais vários já foram entretanto afastados, detidos ou sujeitos a processos relacionados com acusações de desacreditar as Forças Armadas ou divulgar símbolos considerados extremistas pelas autoridades.

Nas legislativas de 2021, o Rússia Unida conseguiu 49,8% dos votos e controla atualmente 310 dos 450 lugares da Duma, acima dos 300 necessários para manter uma maioria de dois terços que lhe permite aprovar alterações constitucionais sem depender de outros partidos.

Como escreve o editor da BBC para a Rússia, Steve Rosenberg, apesar do resultado previsível, as eleições são importantes para o Kremlin, que necessita deste resultado eleitoral “para alegar que a maioria dos russos apoia o Presidente e a guerra” e também para “promover as carreiras políticas dos soldados que voltaram da Ucrânia”, cerca de 200 dos quais se candidatam ao parlamento.

Uma sondagem do instituto estatal VTsIOM, realizada no final de agosto, atribuía 37% ao partido presidencial e 11,6% aos comunistas.