Futuro da Grécia

Obama a Varoufakis: “A austeridade é tramada”

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Ex-ministro das Finanças grego contou, para um perfil publicado pela revista "New Yorker", que Barack Obama se mostrou "mais solidário" com a causa do governo grego do que Varoufakis estava à espera.

CHRISTOPHE ARCHAMBAULT/AFP/Getty Images

“Eu sei… a austeridade é tramada. Não funciona – só cria miséria e perpetua-se a si mesma, derrota-se a si mesma”. Estas foram, segundo Yanis Varoufakis, o ex-ministro das Finanças da Grécia, as palavras ditas por Barack Obama, o Presidente norte-americano, em fevereiro, durante uma curta conversa entre os dois na Casa Branca.

A revelação de Varoufakis sobre o conteúdo da conversa de 10 minutos com Obama, que a Casa Branca não confirmou, foi feita a um jornalista da revista The New Yorker que esta segunda-feira publicou um longo perfil sobre o ex-ministro das Finanças grego – The Greek Warrior (o guerreiro grego).

Segundo o ex-ministro grego, que este fim de semana foi notícia por ter sido divulgada uma gravação em que este reconhece ter criado uma equipa para fazer hacking (intrusão informática) dos servidores do próprio Ministério para criar um sistema bancário paralelo, disse a Obama: “Sr. Presidente, o meu governo está a planear, eu estou a planear, fazer compromissos, mas não iremos ser comprometidos”. Foi no início de fevereiro, por ocasião das celebrações do Dia da Independência grega.

Antes disso, Varoufakis terá dito, segundo o próprio, a Obama que “quando [Obama] chegou ao poder, encontrou uma balbúrdia, mas pelo menos tinha um banco central que o apoiava. Nós herdámos uma balbúrdia e temos um banco central que está a tentar asfixiar-nos”.

Aí, a resposta de Obama foi pedir a Varoufakis para “não subestimar quão duro foi para mim [Obama]”. Resgatar os bancos de Wall Street, no rescaldo da crise financeira, “foi contrário à ideologia” de Obama e foi “veneno político” que o presidente americano teve de engolir. Apesar de reconhecer que “a austeridade é tramada”, Obama avisou Varoufakis, em fevereiro, que este teria de “engolir algumas coisas azedas”.

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