O Supremo Tribunal de Justiça grego reencaminhou para o Parlamento a queixa de dois cidadãos associada contra Yanis Varoufakis, que é acusado de não ter protegido a solvência da economia grega e que numa conversa gravada admitiu que teve um amigo a fazer intrusão informática (hacking) dos servidores da Autoridade Tributária. Caberá ao Parlamento decidir se levanta a imunidade parlamentar a Varoufakis, que continua como deputado, para que este possa ser investigado. Oposição quer ouvir Varoufakis.

Segundo o eKathimerini, o procurador-geral da República reuniu-se, logo na segunda-feira, com um conjunto de responsáveis judiciais, para decidir o que fazer depois da divulgação da conversa de Varoufakis com investidores da city londrina. Entretanto, dois cidadãos tinham feito chegar ao Supremo Tribunal duas queixas paralelas, responsabilizando Varoufakis pelo colapso na economia do país: Apostolos Gletsos, presidente da câmara de Stylida e líder do partido Teleia, e Panayiotis Giannapoulos, um advogado.

Estes processos foram encaminhados para o Parlamento pelo tribunal, seguindo aquela que já tinha sido a solução vista como mais adequada nessa reunião de segunda-feira no Supremo Tribunal. Há, contudo, questões de privacidade e proteção de dados que poderão levar a que, desde já, sejam investigadas “pessoas não políticas” envolvidas nesta questão, escreveu o jornal grego.

Um grupo de deputados do Nova Democracia, líder da oposição ao Syriza, quer questionar Varoufakis não só sobre o seu papel no colapso da economia mas, também, sobre as revelações do fim de semana. Quatro deputados do Nova Democracia querem que o ex-primeiro-ministro seja convocado imediatamente para uma audição parlamentar.

Varoufakis defende-se no FT. “Há algo de podre no reino do euro”

Varoufakis escreveu, entretanto, mais um artigo a defender-se da chuva de críticas sob a qual ficou após a revelação do hacking que permitiria relançar o dracma na Grécia “num piscar de olhos”. Num artigo de opinião no Financial Times, o ex-ministro grego disse que a “ideia era simplesmente criar um sistema de cancelamento multilateral de pagamentos em atraso entre o Estado e o setor privado usando a plataforma existente”.

O ex-ministro disse que a imprensa estava demasiado concentrada nos “meios pouco ortodoxos” utilizados, garantindo que esses meios se justificam pela “terrível restrição da soberania nacional imposta pela troika aos ministros gregos que veem negado o seu acesso a departamentos importantes dos seus ministérios para aplicar sistemas inovadores”. “Há algo de podre no reino do euro”, diz Varoufakis.

Responsável pela informática diz que notícias são “absolutamente falsas”

Michalis Hatzitheodorou, chefe do Secretariado Geral de Sistemas de Informação do Ministério das Finanças, garante que é “absolutamente falso” que tenha havido qualquer intrusão nos sistemas do Ministério. Nunca existiu nem nunca foi planeada qualquer intervenção nos sistemas da autoridade tributária.

Hatzitheodorou tem sido apontado como sendo, possivelmente, o “amigo de infância” de Varoufakis, formado pela Universidade de Columbia, nos EUA, que colaborou com Varoufakis nestes planos.