O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou hoje, pelo 70.º aniversário do bombardeamento atómico de Hiroshima, que o ataque releva a importância do acordo nuclear iraniano e do desarmamento em geral.

“Escusado será dizer que é um lembrete muito, muito importante, não apenas pelo impacto duradouro da guerra nas pessoas, nos países, mas também por sublinhar a importância do acordo que alcançámos com o Irão para reduzir a possibilidade de mais armas nucleares”, disse John Kerry, à margem de uma reunião diplomática da Associação de Nações do Sudeste Aisático (ASEAN), que decorre em Kuala Lumpur, capital da Malásia.

Já Barack Obama, tinha alertado esta quarta-feira que uma rejeição, pelo Congresso norte-americano, do acordo nuclear alcançado entre o Irão e as potências internacionais levaria a uma guerra no Médio Oriente.

O Presidente dos Estados Unidos destacou, numa palestra na Universidade Americana, Washington, a necessidade do Congresso aprovar o acordo nuclear com o Irão. Obama disse mesmo que, em termos de política externa, este debate é o mais importante – desde a autorização do uso da força militar no Iraque em 2002.

Obama sublinhou a importância de tentar a via diplomática, mas acrescentou: “se o Irão nos enganar podemos apanhá-lo e vamos fazê-lo”. Obama lembrou que em caso de violação do acordo, “todas as sanções vão ser retomadas”. E mais: “Não precisamos do apoio de outros membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os Estados Unidos podem fazê-lo sozinhos”, frisou.

O acordo limita as atividades nucleares do Irão durante 10 anos, pelo menos, ao mesmo tempo que apela para o controlo das Nações Unidas. As potências mundiais esperam que afaste a possibilidade de Teerão criar uma bomba atómica. Em troca, o Irão fica livre das sanções internacionais que cortaram as exportações de petróleo do país, comprometendo a economia iraniana, e vê milhares de milhões de dólares em ativos, que estavam congelados, serem desbloqueados.

Foram 21 meses de negociações entre o grupo 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) e o Irão que levaram ao acordo a 14 de julho deste ano.

O Congresso tem até 17 de Setembro para votar uma resolução sobre este acordo. A administração norte-americana considera uma passo histórico.