As (más) notícias foram divulgadas num estudo esta quinta-feira. O aquecimento global pode influenciar o crescimento de lúpulo (Humulus lupulus), uma planta utilizada na produção de cerveja para dar sabor e estabilizar a bebida. E é a sua escassez que pode fazer com que o preço da cerveja alemã aumente, revela o jornal alemão The Local.

Cerca de metade da produção de lúpulo na Europa – e um terço da produção mundial – é produzida em Hallertau, uma região localizada no estado da Baviera (no sul da Alemanha). Acontece que a região tem sofrido nos últimos cinco anos condições atmosféricas “extremas”, como granizo e chuvas intensas, levando à destruição das colheitas. De acordo com o estudo, estas alterações climáticas podem agravar-se com o aquecimento global, fazendo com que seja ainda mais difícil obter a planta necessária para a produção de cerveja na Alemanha.

Ao verem as suas colheitas destruidas, os produtores de lúpulo ver-se-ão obrigados a gastar mais em seguros – para se protegerem dos prejuizos causados pela destruição das colheitas –, e em outras medidas destinadas a proteger as plantas das chuvas intensas e da erosão do solo, refere o jornal alemão. Assim, estes custos adicionais vão não só tornar o lúpulo mais caro, como também o da cerveja.

Contudo, um porta-voz da Associação Alemã de Produtores de Cerveja, Marc-Oliver Huhnholz explicou ao The Local que este aumento de preço só se deverá fazer sentir no longo prazo. “A cerveja alemã e de outros tipos é, claro, um produto da natureza, e está muito dependente de matérias primas como o lúpulo”, afirmou”. “Quando os materiais se tornam escassos, claro que os produtores têm que aumentar os preços, mas as matérias-primas são apenas parte da equação. A água e a energia também têm o seu papel”.

O estudo foi comissionado pelo Partido Verde alemão e analiza o impacto do aquecimento global na Alemanha em 2050. A infuência das alterações atmosféricas no desenvolvimento das colheitas, nomeadamente de lúpulo, é apenas um dos fatores analisados.