“As relações entre António Costa e José Sócrates estão no nível zero, não existem”. É assim que Luís Marques Mendes descreve, no seu espaço de comentário habitual na SIC, aquele que foi, na sua opinião, o facto político mais importante que saiu do debate entre o líder socialista e Pedro Passos Coelho. A separação que António Costa tentou, claramente, fazer de Sócrates foi feita com “requintes de malvadez” que, diz Marques Mendes, faz parecer as “guerras internas entre os laranjinhas do PSD um conjunto de meninos de coro, em comparação com isto”.

Luís Marques Mendes afirmou nesta noite de sábado que “António Costa deu duas pantufadas monumentais a José Sócrates. Daquelas coisas sem dó nem piedade, que até custa ouvir”. Como? Primeiro, questionado sobre “se o vai visitar ou não, disse logo: não, não está nos planos visitar. Foi de uma secura a toda a prova. sem uma explicação, nada”, diz Marques Mendes, que acredita que Costa “destratou” Sócrates.

Em segundo lugar, Costa, “sem que ninguém o tivesse pressionado, disse comigo não há TGV nem aeroporto nem travessia sobre o Tejo, ou seja, as grandes obras faraónicas de Sócrates”. “Como quem diz, acabou. Não tenho nada a ver com isso”, relata Marques Mendes.

É claro que “Sócrates, que tem um ego do tamanho do universo, reagiu a estas pantufadas divulgando a fotografia do jantar com vários socráticos”.

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E como interpretar a fotografia? É claramente para dizer: “tu queres tirar-me do palco? Não, nós estamos aqui no palco”. Nós não estamos aí, mas andamos por aí… Tu queres esconder-nos, atirar-nos porta fora mas estamos aqui”, na análise do antigo deputado social-democrata. Ficou claro, diz Marques Mendes, que “se Costa ganhar as eleições, os socráticos vão borda fora. Se perder as eleições ou não tiver um bom resultado, terá os socráticos à perna“.

“António Costa e José Sócrates detestam-se cordialmente“, rematou Marques Mendes, acrescentando que Sócrates “percebeu, já há muito tempo, que José Sócrates era um ativo tóxico“. “Esta semana teve a rutura definitiva entre Costa e Sócrates, o que pode ser bom para Costa. Resta saber se não foi demasiado tarde“, conclui.

PSD deixou de poder ambicionar uma maioria absoluta

Marques Mendes comentou, ainda, o debate entre Passos e Costa dizendo que, “não tendo havido conteúdo, houve imagem e forma. E desse ponto de vista, acho que Costa ganhou o debate“.

E, na realidade, o que é que Passos Coelho perdeu? Marques Mendes diz que Passos “perdeu uma oportunidade. No dia do debate, saiu uma sondagem que lhe dava vantagem. Assim, não perdeu as eleições mas perdeu uma oportunidade para ambicionar a maioria absoluta. As coisas, desse ponto de vista, não lhe correram tão bem. O objetivo de maioria absoluta desapareceu

E, além disso, o que é que mudou? “Mudou a dinâmica da campanha. Esta estava favorável à coligação, mas agora o PS inverteu isto”, diz Marques Mendes. “Os laranjinhas impopulares estavam muito eufóricos e, agora, ficaram um pouco acabrunhados. E os socialistas, que estavam descostoados com tanta asneirada, agora ficaram motivados“.

António Costa tem “excesso de demagogia”

“Passos coelho esteve muito diferente do que costuma ser nos debates parlamentares”, acrescentou Marques Mendes. “Não sei se foi por recomendação ou por outra razão, mas esteve”, notou. Marques Mendes diz que Passos esteve mal no debate porque houve “excesso de passado, exagero de Sócrates e défice enorme face ao futuro. Nem falou quase de como a economia está a crescer”.

Já António Costa mostrou ter “excesso de demagogia“. “Qualquer político faz sempre alguma, mas o exagero mata. O grande exemplo foi a troika, quase a insinuar que não foi o PS que meteu a troika cá dentro. Isso é reescrever a História e não fica bem” a António Costa, diz Marques Mendes.

Espanhóis e “grupo europeu” podem querer Novo Banco

Marques Mendes comentou, ainda, o processo de venda do Novo Banco, perante a hipótese cada vez mais provável de que haja um adiamento para depois da divulgação dos testes de stress do BCE à instituição.

“Tanto quanto eu sei, num próximo concurso, vai permitir novos concorrentes”. E aí, diz Marques Mendes, “há um dado interessante. Há pelo menos dois bancos europeus, um deles possivelmente em Espanha, que podem querer comprar”

“E pode, até, haver um grupo europeu interessado em comprar o novo banco e fundi-lo com o BPI”, antecipou Marques Mendes, numa altura em que “a fusão entre o BPI e o BCP parece estar descartada”.