A secretaria Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) esqueceu-se de colocar nos envelopes de retorno destinados aos votos dos emigrantes portugueses o destino “Portugal” após a morada.

Em comunicado, a SGMAI refere que, “com vista a prevenir que desse facto possa resultar qualquer constrangimento à chegada atempada de votos, de imediato foi instruída a rede consular, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e contactados os CTT, pela SGMAI, para que todas as medidas fossem tomadas junto dos serviços postais dos vários países envolvidos, a fim de ser assegurada a indicação de aquele correio se destine a Portugal”.

Segundo o ministério tutelado por Anabela Rodrigues e que tem a responsabilidade pela organização do processo eleitoral, há boletins de voto que já começaram a ser recebidos, “estando naturalmente a SGMAI a acompanhar de perto toda a situação”.

Para as eleições deste ano, estão recenseados nos círculos do estrangeiro 242.526 pessoas: 164.273 fora da Europa e 78.253 na Europa. Serão cerca de 10% dos emigrantes e luso-descendentes espalhados pelo mundo.

Greve nos correios do Brasil e atrasos nos correios de Timor Leste está a atrasar a chegada dos boletins de voto

No Brasil, a greve de funcionários dos correios está a afetar a chegada dos boletins de voto para os portugueses, a única forma que permite aos eleitores portugueses recenseados fora do país votar nas legislativas. José Cesário, secretário de Estado das Comunidades disse à Lusa que a greve já terminou em São Paulo, o maior colégio eleitoral fora de Portugal, na passada segunda-feira, e que que foi informado que vai terminar em todo o Brasil. “Esperemos agora que os Correios consigam fazer chegar as cartas aos destinatários”, disse.

Em Díli, Timor Leste, o atraso nos correios está a provocar o descontentamento dos portugueses lá recenseados. Eleitores que levantaram os boletins de voto esta semana foram informados de que a chegada a Portugal podia levar entre três semanas a um mês. Um cenário que coloca a possibilidade de os boletins não a chegarem a Portugal na data limite para a sua contabilização, que é 14 de outubro.

Venezuela e alguns países africanos também estão a registar atrasos. O secretário de Estado das Comunidades conta que “na Venezuela, tradicionalmente, os (boletins de) votos nem conseguem chegar”.

Governo desresponsabiliza-se

José Cesário afirmou à Lusa que o Governo não tem controlo sobre as situações de greve ou atrasos nos Correios de diversos países onde existem eleitores portugueses recenseados. “(Não podemos fazer) nada. Isso é assim, nós sabemos que isso é assim”, disse o secretário de Estado das Comunidades.

Os boletins de voto, a única forma de se votar pelos portugueses que estão fora do país, são enviados pelos Correios, os eleitores preenchem-nos com o voto e são enviados de volta a Portugal, com a data limite de 14 de outubro.