Está para durar a já quente disputa que opõe o vereador do CDS na Câmara Municipal de Lisboa ao executivo socialista, relativamente às anunciadas obras no “eixo central” da cidade. Depois de, na última quarta-feira, o presidente da autarquia ter acusado o eleito centrista de “mentir” e de “não meter uma para a caixa” sobre o assunto, João Gonçalves Pereira deu-se ao trabalho de contar todos os lugares de estacionamento entre o Marquês de Pombal e Entrecampos para retribuir a acusação. Segundo ele, naquele eixo vão desaparecer 604 lugares de estacionamento.

O município pretende requalificar profundamente as praças Duque de Saldanha e Picoas, bem como as avenidas Fontes Pereira de Melo e da República. A intervenção prevê o reordenamento do trânsito, a diminuição das faixas de rodagem, o alargamento dos passeios, a plantação de árvores e a eliminação de lugares de estacionamento. E é aqui que CDS e câmara chocam. João Gonçalves Pereira afirma que, no início de setembro, o vereador do Urbanismo Manuel Salgado lhe garantiu que o projeto apenas previa o fim de 140 lugares. Entretanto, na última quarta, o próprio Salgado disse que a redução seria de 300 lugares. Agora, o centrista acusa a câmara de “desonestidade”, dizendo que são 604 os lugares que vão desaparecer.

João Gonçalves Pereira explica ao Observador que fez a contagem dos lugares “um a um, quarteirão a quarteirão” e que, contas feitas, “a redução é muito, muito significativa”. O vereador elaborou uma espécie de mapa com os resultados do trabalho:

Eliminacao Lugares - Proposta MEDINA - Eixo Central

Isto serve de pretexto a Gonçalves Pereira para acusar a câmara de dar informação “que não é rigorosa” e, mais, de o fazer “a conta-gotas”. E volta a pedir o “amplo debate” que já tinha pedido na semana passada, logo após uma reunião de moradores que exigiram “a suspensão do processo até que possam ser ouvidos”. Para a próxima terça-feira está prevista nova reunião dos habitantes da zona, na qual Manuel Salgado deverá participar.

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Em dezembro de 2014, a câmara promoveu uma sessão de esclarecimento sobre estas intervenções no Mercado 31 de Janeiro. Nesse debate esteve presente Fernando Medina, à data vice-presidente da autarquia, os presidentes das juntas da zona e o arquiteto municipal responsável pelo programa Uma Praça Em Cada Bairro, em que estas obras se inserem. O vereador do CDS afirma, no entanto, que não foi explicado às pessoas que iriam perder tantos lugares de estacionamento.

“Eu não ponho em causa o projeto”, diz. “O que não acho normal é a tentativa de passar a coisa pela porta do cavalo”, sublinha, lembrando as obras promovidas pelo executivo no Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade. “Estamos fartos de experimentalismos. Acho que os lisboetas já deram para esse peditório”, remata.

Na reunião pública da câmara na passada quarta-feira, a tal em que Manuel Salgado assumiu que se perderiam 300 lugares, o vereador do Urbanismo fez questão de dizer que os parques de estacionamento daquela área vão ter espaço para mais 428 automóveis.

Na fotogaleria abaixo pode ver como as avenidas e as praças daquela zona vão mudar:

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